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Praia de Meaípe é proibida para banho após destruição

Praia de Meaipe. Foto: Roberta Bourguignon Depois da interdição para automóveis e pedestres em parte da orla de Meaípe, em Guarapari, a praia também ...

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Praia de Meaipe. Foto: Roberta Bourguignon Praia de Meaipe. Foto: Roberta Bourguignon

Depois da interdição para automóveis e pedestres em parte da orla de Meaípe, em Guarapari, a praia também passou a ser proibida para os banhistas. Com o mar mais calmo na manhã de terça-feira (15), a Defesa Civil identificou que várias pedras estão aparecendo na areia, o que oferece risco para quem entra na água.

De acordo com o órgão, as pedras que estão indo e voltando com o balanço das ondas são pedaços do muro de contenção que desabou e também pedras que estavam no fundo do mar e emergiram com a força das ondas. “O mar desenterrou grande quantidade de pedras com a força das ondas. Essas pedras vieram parar na areia da praia e se juntaram aos escombros. Isso é um risco para os banhistas, principalmente para os turistas que não conhecem bem o mar. Qualquer mergulho pode ser trágico, já que as ondas estão trazendo e levando as pedras o tempo todo”, ressaltou o gerente da Defesa Civil, Romildo Scalzer.

A presença de guarda-vidas foi solicitada a fim de orientar os banhistas e também as crianças que estudam na Escola Manoel Rosindo da Silva, que fica na avenida Santana, orla do balneário. “Nós já orientamos os alunos e os pais dessas crianças para que nos horários de saída todos possam ir direto para casa, e não ter curiosidade em ver o mar. Nossa preocupação com acidentes é grande”, explicou o Scalzer.

O prefeito de Guarapari, Edson Magalhães, disse que agendou uma reunião hoje com o governador Paulo Hartung em busca de recursos para obras emergenciais. Com mais uma interdição, os comerciantes começam a calcular prejuízos. Proprietário de um restaurante na orla há 18 anos, Vinícius Brina, 58, disse que não tem como trabalhar. “Já andávamos com dificuldade. Demitimos os quatro funcionários fixos que trabalhavam com a gente e agora estamos só eu e minha mulher no restaurante. Com essas interdições, não temos vendido nada e não sabemos onde vamos parar.”

A quatro meses para o verão, o gerente da casa de shows de Meaípe, Renato Oliveira, teme a queda no turismo. Segundo ele, a programação da boate precisa ser fechada nas próximas semanas e a situação do balneário é preocupante. “O turista já começou a se organizar para o verão, e não sabemos mais se poderemos contar com eles.”

“O mar vai tomar o que é dele”

A passagem de uma frente fria associada a um ciclone extratropical pelo litoral capixaba, que provocou ventos fortes sobre o oceano e está causando intensas ondas no mar de Guarapari, tem resultado em grandes estragos na orla de Meaípe. No entanto, qualquer medida adotada será apenas paliativa. É o que afirma o geógrafo Pedro Henrique Gomide Lucci.

De acordo com o especialista, pedras, sacos de areia e muro de contenção podem apenas prorrogar o fim da orla. “Qualquer obra vai retardar o processo de erosão, porque o tempo da natureza é diferente do nosso. Não existe solução definitiva para a orla de Meaípe”, afirmou.

A ressaca, segundo Lucci, é um fenômeno natural, e a destruição na orla foi causada pela ocupação desordenada – a interferência humana no ambiente contribuiu para que Meaípe sofresse a atual erosão. “O que está acontecendo é o ciclo natural do mar. O problema está em terem aterrado a praia, de ter sido ocupado o espaço do mar. A Rodovia do Sol foi construída em um lugar totalmente inapropriado e fez com que as lagunas se transformassem em lagoas do outro lado da pista”, explicou.

E completou. “A diferença entre laguna e lagoa é que laguna tem contato com o mar, e lagoa não. Esse ambiente era de laguna e naturalmente tinha contato com o mar. O que temos agora são as lagunas fazendo força para encontrar com o mar e o mar fazendo força para encontra com as lagunas.”

O processo, segundo o geógrafo, pode levar 10 ou 50 anos. “Haverá um momento em que o mar vai tomar o que é dele. Mas o prazo nós não podemos determinar.”

Além da ocupação humana, a praia de Meaípe sofreu extração de areia na década de 1960, o que contribuiu para a redução da faixa de areia. “Estamos pagando o preço por toda a alteração no ecossistema”, concluiu o geógrafo.

Faixa de areia já foi 10 vezes maior, dizem moradores

Moradores e comerciantes no balneário há mais de meio século, Nhozinho Matos, 73 anos, e Jailton Nascimento, 65, lembram do crescimento de Meaípe no turismo gastronômico e agora lamentam o trágico momento de erosão que os levam a pensar que se nada for feito com urgência o local se transformará em um píer.

Preocupado com a erosão que cresce a cada dia, Nhozinho conta que a praia já chegou a ter faixa de areia com mais de 30 metros de extensão, e hoje não passa de 3 metros.

“O futebol dos moradores era na areia da praia. Aqui tinha mais de 30 metros de areia na década de 1960, 70. Houve um momento em que uma empresa foi autorizada a retirar nossa areia monazítica, e isso parecia que ia prejudicar. A resposta é essa agora”, lamenta.

Em 1966, quando Nhozinho abriu o primeiro restaurante da praia, segundo ele, Meaípe não existia. O irmão, Duarte Matos, era guia turístico e começou a passear com turistas na praia. Anos depois, o local ficou famoso pelo aconchego da orla e a moqueca capixaba.

Com o processo de erosão, clientes buscam saber se poderão voltar a frequentar o balneário, segundo Jailton, conhecido por Curuca. “Muita gente tem ligado para saber se a água do mar está invadindo o restaurante. O que está acontecendo em Meaípe nunca tinha visto.”

Para Nhozinho, se nada for feito com urgência, o balneário se transformará em um píer. “Precisamos de uma rápida solução. Se as obras não forem bem elaboradas, em 10 anos Meaípe vai virar um píer.”

Roberta Bourguignon e Verônica Aguiar

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