Uma professora de uma escola particular de Vitória foi condenada pela Justiça a pagar R$ 880 como meio de cumprir uma pena alternativa, após xingar uma criança em sala de aula e permitir que ela fosse hostilizada pelos coleguinhas.
A sentença foi proferida nesta semana, pela juíza Maria Nazareth Caldonazzi de Figueiredo Cortes, do 3º Juizado Especial Criminal de Vitória.
O caso aconteceu no fim do ano passado, quando a professora, ao receber uma resposta errada da aluna de 8 anos, teria pedido que os outros alunos aplaudissem o erro da menina e permitiu que a chamassem de burra.
Os pais entraram em contato com a escola pedindo que medidas fossem adotadas para resolver a situação, mas não foram atendidos. A família trocou a menina de escola e entrou na Justiça contra a professora, o diretor e os responsáveis pelo colégio.
Para o advogado da família da criança, Ricardo Ribeiro, o valor do pecúnio estabelecido pela Justiça foi abaixo do esperado.
Porém, ele explicou que são dois processos criminais: esse, contra a professora, cuja sentença saiu agora, e um contra a escola, e que terá a audiência marcada para os próximos dias.
Segundo o advogado, assim que sair a sentença envolvendo a unidade escolar, a família vai entrar com uma outra ação, agora na esfera cível, com um pedido de indenização por danos morais.
“Na parte criminal, buscamos a punição do agente causador do dano na criança, que está sofrendo muitos problemas psicológicos. A escola não poderia permitir esse tipo de ação.”
Humilhação
Ele destacou ainda que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, é crime expor a criança a constrangimentos.
Segundo especialistas, crianças que sofrem qualquer tipo de trauma na escola precisam de acompanhamento especializado e apoio da família para superar as dificuldades.
Segundo a neuropsicopedagoga e terapeuta de família Penha Peterli, o aluno deve ter pelo professor um sentimento de admiração, confiança e proteção.
“Caso a criança não tenha esse acompanhamento, poderá ter prejuízos em níveis acadêmico e pessoal durante toda sua vida”, disse.
O outro lado
A reportagem de A Tribuna procurou a direção da escola, através da assessoria de imprensa e também por telefone, e a professora para comentarem o assunto. Por conta das férias escolares, tanto o diretor da instituição de ensino como a professora não foram localizados.
Reportagem: Luciana Almeida