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Promotor diz em prova para o Ministério Público que estuprador ficou “com a melhor parte”

Um promotor público causou polêmica em sua atuação como examinador de uma prova oral para o ingresso no Ministério Público do Rio de Janeiro. Em uma ...

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Um promotor público causou polêmica em sua atuação como examinador de uma prova oral para o ingresso no Ministério Público do Rio de Janeiro. Em uma das perguntas a um candidato, o promotor Alexandre Couto Joppert afirmou que um estuprador ficou “com a melhor parte (no crime), dependendo da vítima”.

O examinador apresenta a questão a um candidato homem em que descreve um caso hipotético de estupro. “Um segura, outro aponta arma, outro guarnece a porta da casa, outro mantém a conjunção – ficou com a melhor parte, dependendo da vítima – mantém a conjunção carnal, e o outro fica com o carro ligado para assegurar a fuga”, diz.

A questão provocou indignação no meio jurídico carioca e nas redes sociais. À BBC Brasil, o promotor afirmou que foi mal interpretado e que apenas tentava descontrair o ambiente da prova, que costuma ser muito tenso para o candidato. Joppert também disse que está triste com a situação e que, em 17 anos de Ministério Público,  sua atividade sempre foi “muito combativa com esse tipo de crime, que eu reputo hediondo, dos mais reprováveis que existe”.

“Essa frase, talvez ouvida fora do contexto, pode dar uma ideia errada. Eu quis dizer ‘a melhor parte’ não na minha ótica, obviamente. A melhor parte na ótica da mente doentia do criminoso. Em todo o estupro, o objetivo principal do criminoso, naquela patologia psíquica que ele tem, é alcançar a satisfação da sua lascívia. Como no estelionato a melhor parte a é obtenção da vantagem indevida”,  disse.

“Até porque para mim, eu acho que em qualquer pessoa digna, não existe melhor parte no estupro. Todas as partes são totalmente odiosas”, acrescentou.

O promotor também tentou se explicar por ter falado que o estuprador teria ficado com a melhor parte, “dependendo da vítima”. “Quando eu falei aí num tom jocoso, para descontrair o candidato, ‘dependendo da vítima’, eu quis dizer por exemplo se fosse uma vítima lutadora de MMA nem a melhor parte seria, pois ele estaria em maus lençóis”, disse.

Segundo Joppert, o objetivo da questão era saber se o candidato indicaria a punição mais severa para o estupro, com punição maior que ele considera mais correta.

As provas orais do Ministério Público podem ser gravadas pelos participantes ou pelo público presente. O Ministério Público do Rio de Janeiro não respondeu à reportagem da BBC Brasil. O caso já teria sido encaminhado à Corregedoria, e o promotor deve emitir uma nota pública sobre o ocorrido.

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