Pregos para conter a aproximação de viaturas da Polícia Militar (PM) e fuzis capazes de derrubar aviões de guerra foram usados durante um mega-assalto a uma empresa de transporte de valores em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) na madrugada desta terça-feira (5).
Um policial rodoviário foi morto durante o ataque cinematográfico de uma quadrilha de cerca de 20 homens. Eles usaram ao menos dois caminhões e até uma retroescavadeira para bloquear ruas no entorno da Prosegur, na zona norte de Ribeirão Preto. O grupo detonou explosivos e trocou tiros com a polícia por cerca de uma hora.
A ação teve ao menos 597 tiros, segundo a polícia, a maioria de calibre 762. Um cartucho calibre 50, capaz de derrubar aeronaves, também foi encontrado. O ataque ocorreu por volta das 4 horas e deixou a região da empresa no escuro, após os criminosos atirarem em cinco transformadores de energia elétrica. Ao menos 2.000 imóveis ficaram sem energia.
Foram ouvidas ao menos três explosões no local. Durante a fuga, os criminosos atearam fogo em veículos para dificultar a ação policial. O clima nos bairros próximos ao ataque foi de pânico, e moradores relataram tiros de forma ininterrupta por mais de três minutos.
“Era uma guerra, mas ao vivo. Nunca imaginei passar por isso”, afirmou o aposentado José Carlos de Castro. Após a ação, a quadrilha fugiu rumo à rodovia Anhanguera. No anel viário da cidade, policiais rodoviários foram atacados ao tentar interceptar a quadrilha. Eles se deitaram para não serem atingidos.
Ao se levantar para pegar o rádio do veículo e pedir apoio, o cabo Tarcisio Wilker Gomes, 43, levou um tiro na cabeça. Casado, ele era pai de um menino de 8 anos.
O secretário de Estado da Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, disse que existe a possibilidade de elo entre a quadrilha que explodiu a empresa em Ribeirão e os mega-assaltos ocorridos neste ano em Santos e Campinas. Em abril, a sede da Prosegur em Santos foi roubada por um grupo armado com fuzis e bombas em uma ação que terminou com três mortes e chegou a interditar a rodovia Anchieta.
Um mês antes, cerca de 20 homens explodiram paredes para chegar à sala-forte de um prédio da Protege em Campinas e atiraram durante 1 h e meia com fuzis capazes de derrubar um helicóptero. Apesar disso, para o secretário, as polícias do Estado são bem equipadas.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os bandidos usaram uma chácara alugada na quinta (30) como esconderijo. O imóvel fica na região do km 320 da rodovia Anhanguera e próximo ao ponto onde Gomes foi morto. No local, foram encontrados artefatos para fabricação de bombas caseiras, luvas e perucas.
Policiais civis e militares ouvidos pela reportagem afirmaram que o montante roubado em Ribeirão Preto pode chegar a até R$ 60 milhões. A Prosegur não informou o valor levado pela quadrilha, mas disse que nenhum de seus funcionários foi ferido e que está colaborando com as investigações.