
Em busca da realização pessoal e também profissional, muitas mulheres estão virando donas de seus próprios empreendimentos
A chegada de um filho pode mudar as prioridades na vida dos pais e, sobretudo, da mãe. Conciliar a criação dos filhos com a carreira profissional não é uma tarefa fácil no Brasil, onde a mulher ainda encontra dificuldades para se manter no mercado de trabalho após a maternidade.
Decididas pela realização pessoal e profissional, muitas mulheres estão empreendendo com sucesso após a maternidade.
Em um universo de 8 milhões de mulheres empreendedoras brasileiras, 74% são mães, segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Em julho de 2016, no Espírito Santo, o número de microempreendedoras individuais era de 77.230 mulheres. Até julho deste ano, dado mais recente, esse número passou para 91.657.
Hoje consultora de imagem e estilo, Rafaela Pelição, de 32 anos, mãe de Cecília Pelição Klein, 5, e Pedro Pelição Klein, 4, era vendedora em uma concessionária de automóveis.
Após o nascimento de sua filha, Rafaela pediu demissão e iniciou a faculdade de moda.
“No segundo semestre, eu engravidei do Pedro. Eu me vi mais distante do mercado, mas tinha em mente que o trabalho com moda iria me proporcionar uma rotina mais próxima dos meus filhos”, contou.
Desde o começo deste ano, Rafaela trabalha com moda, o que possibilita ter horários flexíveis e lhe proporciona participar do cotidiano dos filhos. Ela relata que hoje fatura o dobro do salário que ganhava no antigo emprego.
Já a artesã Mariana Reis, 35, trabalhou por 10 anos como vendedora em uma concessionária de carros de luxo no Estado.
Mãe de Patrícia Oliveira Brito, 15, e de Caio Oliveira Rubin, 2, ela decidiu sair do emprego e trabalhar por conta própria, na confecção de laços femininos, após o nascimento de seu segundo filho.
“Não foi uma decisão fácil, mas sempre tive vontade de acompanhar de perto o crescimento dos meus filhos. Hoje consigo conciliar o artesanato e as vendas com as atividades das crianças”, contou Mariana, dona da marca Pati de Laço.
A antiga auxiliar administrativo Lorena Farias, 35, teve como motivação para empreender a alergia alimentar de seu filho, Miguel Farias, 3. Hoje, ela faz gelatina de frutas e bolos sem glúten e sem lactose que já conquistaram a clientela.
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Agente de viagens

Ela, que já fazia consultoria de viagens para amigos e parentes como hobby, resolveu apostar no negócio após o nascimento de seus filhos.
“Mesmo recebendo pouco menos do que antes, me sinto realizada por ficar mais perto dos meus filhos, de 4 e 2 anos”, comentou.
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Aposta em recreação infantil

“Vi que o mercado infantil estava em alta e decidi investir nisso. Hoje tenho clientes satisfeitos e um imenso amor pelo trabalho.”
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Empreendedorismo feminino por setor
- – Agropecuária: neste setor, a participação feminina representa 20% em relação aos homens.
- – Comércio: no segmento, 53% dos investidores no Estado são mulheres.
- – Construção civil: nesta área, há atuação de 6% de mulheres microempreendedoras, contra 94% de homens.
- – Indústria: 59% das mulheres são ativas neste setor, contra 41% dos homens.
- – Serviços: as mulheres saem na frente, representando 54% de empreendedorismo neste segmento.
Aumento de mulheres microempresárias
- – Em julho de 2016, o número era de 77.230 mulheres microempreendedoras. Até julho deste ano, esse número passou para 91.657.
- – As principais atividades abertas por mulheres são loja de roupas, salão de beleza e empresas voltadas para alimentação, como lanchonetes por exemplo.
- – A faixa etária de destaque das mulheres que mais empreendem é dos 30 aos 39 anos, representando 33% do total de mulheres microempreendedoras no Espírito Santo.
Empresárias que são mães no País
- – Em um universo de 8 milhões de mulheres empreendedoras brasileiras, 74% são mães, segundo o Serviço de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Fonte: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-ES)
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Quinze ideias para ganhar dinheiro

As mulheres estão apostando em segmentos no mercado que possam permitir conciliar a vida profissional com a pessoal, principalmente em relação aos cuidados com os filhos. São atividades diversas como confecção de doces, recreação infantil, agenciamento de viagens, fotografia, costura, entre outras.
De acordo com a analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae-ES), Renata Braga, as principais atividades desenvolvidas pelas microempreendedoras individuais (MEIs) no Estado são: abertura de lojas de roupas, salão de beleza e empresas voltadas para alimentação, como lanchonetes.
“São características naturais das mulheres serem mais decididas, detalhistas e sensíveis à tarefa que desempenham, o que impacta diretamente nessa crescente participação da mulher no mercado como dona do próprio negócio”, afirmou.
Para Roberta Kato, consultora organizacional, especialista em Recursos Humanos e diretora da Kato Consultoria e Treinamento, a figura da mulher que é mãe e empreendedora está solidificada no mercado.
“Isso se explica, principalmente, pelo fato de que a mulher passou a ter um importante papel no orçamento familiar e ser até a principal fonte de renda, em muitos casos”, destacou.
Em meio ao cenário de recuperação da economia, o trabalho das mulheres em casa, aliado à possibilidade de ver o crescimento dos filhos, é a principal característica atribuída ao crescimento do empreendedorismo de mães, segundo Roberta.
O especialista em empreendedorismo e coordenador de pós-graduação da faculdade Multivix, Adriano Salvador, destacou cuidados que as mulheres mães devem ter ao desenvolver alguma atividade remunerada em casa.
“É importante tornar o negócio formal, procurar um contador, começar com uma MEI. São opções que podem abrir as portas”, disse.
Se o investimento vai depender das mídias sociais é importante fazer um curso de mídia digital para promover o próprio negócio, segundo Adriano.
A mãe de João Reis, de 1 ano, e de Açucena Reis, 3, Luciana Karla Reis, 35, colhe bons resultados na sua empresa Fofuras da Luli´s. “Me senti mais motivada com o trabalho após a chegada do meu segundo filho”, salientou Luciana.
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para mães investidoras. Foto: Reprodução
1 Doceria
O comércio de doces e geleias continua em constante crescimento. Sutileza de paladar, riqueza de sabores e degustação de novidades são as novas tendências no mercado de doces. Devido ao risco do negócio, especialistas recomendam a realização de ações de pesquisa de mercado para avaliar a demanda e a concorrência.
2 Serviço de recreação para festas infantis
O mercado do consumo infantil constitui uma boa oportunidade de negócio quando bem direcionado pela investidora. O setor é grande gerador de trabalho e renda. A melhor alternativa para se destacar no segmento ainda é apresentar um diferencial nos serviços prestados.
3 Produção de lembranças infantis
De acordo com especialistas em empreendedorismo, festas infantis superproduzidas já são uma tradição brasileira e um importante acontecimento na vida das crianças. Por isso, investir no glamour das festas por meio de lembranças infantis é um nicho de destaque no mercado.
4 Agente de viagens
Há uma procura crescente por este tipo de serviço, que se mostra cada vez mais sofisticado e exige muita atenção aos detalhes. O crescimento deste mercado é uma boa notícia não só para quem está ligado diretamente ao negócio, como os hotéis e as empresas de transporte, mas para outros setores indiretamente envolvidos.

5 Fotografia
O segmento de fotografia cresceu e se desenvolveu muito nos últimos anos, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Investir na especialização neste ramo de negócio, com realização de cursos, pode ser uma ótima forma para as mães.
6 Loja virtual de roupas de bebês
Crianças estão em constante crescimento, gerando necessidade de comprar roupas com certa frequência, o que ressalta a importância do investimento no setor com a tecnologia de sites a favor.
7 Manicure e depilação
Grandes empreendimentos vêm surgindo nessa área, com competência técnica para prestar serviços de qualidade e com tratamento diferenciado ao cliente. Mas ainda há muito espaço para novos negócios, desde que estejam comprometidos com a inovação, prestem serviços de qualidade e com um bom preço.
8 Estética
O culto à beleza e à juventude é uma forte tendência nos dias atuais e a oferta de serviços dirigidos à estética capilar, de sobrancelhas e cílios, higiene e embelezamento das mãos e pés, depilação, maquiagem facial estão em pleno vapor.
9 Tradutora
As candidatas a empresárias no segmento de tradução para eventos têm que estar preparadas para ingressar num mercado em que a experiência e a qualificação profissional são requisitos essenciais.

10 Make-up artist (maquiadora)
É uma das profissionais mais requisitadas hoje em dia e o mercado vem crescendo ano após ano no Brasil, já que a demanda por serviços de maquiagem é sempre muito grande. A profissão requer muita determinação e qualificação para se destacar.
11 Design de bijuterias
As bijuterias com personalidade e design moderno conquistam um público cada vez maior e destacam-se por sua originalidade e preço acessível. O conhecimento real das possibilidades de sucesso somente será possível por meio da pesquisa de mercado.
12 Cursos em áreas de gastronomia e nutrição
É uma chance para mães empreendedoras aperfeiçoarem seus conhecimentos na área ou até aprender uma nova profissão em cursos de gastronomia.
13 Corretora imobiliária
Segundo o Sebrae, o setor imobiliário apresenta um crescimento gradual e consistente, que torna o desenvolvimento do mercado de compra e venda de imóveis um dado sustentável.
14 Costura
O cenário para as costureiras está se apresentando de forma bastante animadora, especialmente pela procura por roupas personalizadas, de acordo com o Sebrae.
15 Analista de redes sociais
As empresas, principalmente, precisam de pessoas capacitadas e qualificadas para gerenciar esses canais. Um analista de redes sociais é um profissional muito requisitado pelas empresas brasileiras.
Fonte: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Pesquisa AT e especialistas consultados.
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Reportagem especial de Andreia Ferreira para o jornal A Tribuna do dia 24/09/2017
