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Vazão do Rio Jucu se aproxima do nível crítico

A vazão do Rio Jucu, que abastece parte da Grande Vitória, está perto de atingir o nível crítico, segundo boletim divulgado nesta quarta-feira (27) ...

Vazão do Rio Jucu se aproxima do nível crítico
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A vazão do Rio Jucu, que abastece parte da Grande Vitória, está perto de atingir o nível crítico, segundo  boletim divulgado nesta quarta-feira (27) pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh).

De acordo com o relatório, a vazão atual está em 5.955 litros por segundo (l/s), sendo que o nível crítico é de 5.292 l/s. A média mensal de longa duração é de 15.965 l/s.

O boletim da Agerh mostra ainda que o rio Santa Maria da Vitória está em uma situação melhor, com vazão de 10.584 l/s. Durante a crise hídrica no Estado no ano passado, o rio apresentou vazão abaixo do nível crítico, que é de 3.800 l/s.

A redução da vazão é decorrência da escassez de chuva, que afeta algumas regiões e deixa algumas cidades com risco de racionamento de água.

Rio Itapemirim. Foto: reprodução Rio Itapemirim. Foto: reprodução

Seca em rios afeta cidades

A escassez de chuvas em algumas regiões do Estado está fazendo com que os rios diminuam a vazão, ameaçando cidades com risco de racionamento de água.

Essa realidade já é enfrentada em Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Conceição da Barra, Itarana, Itaguaçu e em algumas localidades de Santa Teresa.

Em Colatina, o nível do Rio Doce já preocupa moradores, assim como acontece em Cachoeiro de Itapemirim, onde o Rio Itapemirim está atualmente com menos de um terço da vazão normal.

Funcionários da prefeitura, agentes da Polícia Ambiental e voluntários se uniram na manhã de ontem em Cachoeiro para salvar milhares de peixes que ficaram presos em uma pequena lagoa formada pelo represamento da água com a baixa do nível do rio.

O secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Mário Cassa Louzada, acredita que o nível do rio tenha subido durante a madrugada e quando baixou, pela manhã, os peixes ficaram presos entre as pedras.

“Provavelmente uma barragem foi aberta e o nível subiu. Quando baixou, a água ficou represada, começou a faltar oxigênio e os peixes começaram a agonizar”, ressaltou.

Ao ver os peixes morrendo, várias pessoas ligaram para a Secretaria de Meio Ambiente, que montou
uma operação para ajudar a resgatar os peixes. Um caminhão pipa foi usado para lançar água no local
com o objetivo de oxigenar a água.

Voluntários desceram até o leito do rio. Eles improvisaram tarrafas para retirar os peixes que estavam
morrendo. Também utilizaram pedras para conduzir água do rio até o trecho represado com o objetivo de encher o espaço onde estavam os peixes até que eles conseguissem sair.

Santa Teresa

Outro lugar que vem sofrendo com a falta de água é o distrito de Várzea Alegre, em Santa Teresa, região serrana do Estado. Com a vazão é baixa na bacia do rio a água não tem tido força para chegar ao distrito.

O prefeito Gilson Amaro disse que o desmatamento nas cabeceiras do rio tem diminuído o abastecimento de água da cidade.

Para a dona de casa, Amélia Lourdes, 62 anos, água na torneira de casa está cada vez mais difícil. “Se não é o carro-pipa para trazer água eu não saberia o que fazer”.

Racionamento em Itarana e Itaguaçu

Moradores dos municípios de Itarana e Itaguaçu, na região Noroeste do Estado, vêm sofrendo com a escassez hídrica na região.

Em Itarana, a captação de água no rio Santa Joana só pode ser feita às segundas, quartas e sextas; e em
Itaguaçu, às terças, quintas e sábado, ambos das 18 às 6 horas.

Para o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Itarana, Amado Leandro da Silva, é preciso uma forte conscientização dos maiores consumidores de água da região e também da população para a economia eficácia.

Para amenizar o problema, Amado Leandro informou que foi realizado um encanamento da estação de tratamento do SAAE de Itarana até a estação de tratamento de Itaguaçu. Ao todo a rede conta com pelo menos 11 quilômetros de extensão e percorre às margens do rio Santa Joana.

“Ontem nós fizemos testes no encanamento para jogar a água para Itaguaçu o quanto antes, já que conseguimos captar acima da sede do município”, lembrou.

O diretor geral do SAAE de Itaguaçu, Rafael Barbosa, calculou que a água vinda do encanamento que liga ambas as estações deve amenizar em cerca de 35% da situação do município. “Também fizemos a perfuração de oito poços artesianos ”, disse.

Rafael lembrou que a captação de água para Itaguaçu era de cerca de 2 milhões de litros de água ao dia, por causa da seca no rio só está sendo possível captar a metade.

Colatina

O nível de água no Rio Doce, principal rio que abastece Colatina, vem preocupando moradores de toda a região.

Porém, de acordo com o diretor geral da Companhia de Saneamento de Colatina, Daniel Favarato, ainda não há risco de racionamento.

“Realmente o Rio Doce está abaixo do nível normal. No final da semana a baixa dele estava em zero. Fazemos regularmente algumas intervenções como retirada de bancos de areia e mudança da bomba, mas nada disso vem afetando a captação do município”, ressaltou.

Água imprópria no Norte

No Norte do Estado, a estiagem causou a salinização do Rio Cricaré, que abastece São Mateus e  Conceição da Barra, deixando a água salobra e imprópria para consumo.

Em Conceição da Barra, desde agosto o fornecimento para a sede do município está sendo racionado, com abastecimento ocorrendo apenas das 6 às 22 horas. A orientação da Companhia EspíritoSantense de Saneamento (Cesan) é que a população evite o desperdício.

Segundo o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), a salinização do Cricaré em São Mateus está atingindo picos de 5.400 partes por milhão (PPM) na maré alta, quando o permitido para consumo humano é no máximo 240 PPM. Para abastecer comunidades do município, poços artesianos estão sendo cavados.

A diretora do SAAE, Claudia Guerino Marchiore, disse que nove poços já estão em funcionamento e abastecem 28 bairros com água potável. “Nós fizemos manobras na rede de distribuição, e os poços foram interligados diretamente na rede, impedindo que a água salgada chegue aos moradores desses bairros”, explica.

Nos locais onde a água ainda está salobra, caminhões-pipa da prefeitura estão abastecendo os moradores, além de escolas e postos de saúde.

Com informações de Alessandro de Paula, Edson Sodré e Elan Costa.

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