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EDUCAÇÃO/GÊNERO

Pernambuco: 496 adolescentes agridem mulheres, mas debate em escolas traz esperança

Dados inéditos revelam que machismo se perpetua; no Recife, EREM Silva Jardim resiste com núcleos de gênero contra o feminicídio

Imagem dos alunos na escola
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Com informações de Luciana Santos

O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), chega a Pernambuco como um dia de reflexão. No ano passado, 496 adolescentes foram registrados como agressores de mulheres no Estado. O dado, obtido pela TV Tribuna PE/Band com a Gerência Geral de Análise Criminal e Estatística, revela uma face cruel: o machismo está se perpetuando entre os adolescentes e jovens.

A violência precoce, que tem origem no patriarcado estrutural e nos atuais movimentos misóginos na internet, tem deixado rastros de sangue. Entre os nomes que viraram saudade está o de Alícia Valentina, de 11 anos. Em Belém de São Francisco, no Sertão, a menina disse “não” a um colega de escola e acabou morta após ser agredida por ele. O autor do crime? Outro adolescente.

O contexto do mundo adulto

É como se muitos adolescentes e jovens tivessem se espelhando no mundo adulto, ao invés de tentar mudá-lo, um retrocesso em relação a gerações passadas. Em 2025, por exemplo, Pernambuco contabilizou 88 feminicídios. E o início de 2026 mantém o ritmo trágico: apenas em janeiro, 10 mulheres foram assassinadas simplesmente por serem mulheres.

O “ponto fora da curva”

Para evitar que novas “Alícias” percam a vida, alguns lugares são ponto fora da curva, onde a resistência começa cedo. No bairro do Monteiro, Zona Norte do Recife, o EREM Silva Jardim mantém um dos núcleos de estudos de gênero da rede estadual. Criados em 2009, esses espaços ainda lutam por visibilidade, mas já mostram que o diálogo e a educação são os melhor antídotos contra a barbárie.

Nas reuniões que ocorrem toda segunda-feira, meninos e meninas sentam-se à mesa para desconstruir preconceitos. “A gente busca esse debate justamente para uma conscientização que abrange a todos”, explica Maria Luiza Viana, coordenadora do núcleo.

Para a estudante Maria Bianka Carneiro, o espaço é de acolhimento: “A gente aprende a dialogar, a conviver, a ter empatia”.

A semente da mudança

A gestora da unidade, Keila Lima, acredita que o ambiente escolar é o local para mitigar as violências antes que elas se tornem extremas. “Quanto mais houver debates no ambiente escolar, melhor”, defende.


O desafio, porém, é cultural e profundo. Rihanna Borges, diretora de políticas públicas, ressalta que o agressor nem sempre é “o homem do século passado”. Quando jovens de 18 anos cometem crimes como tortura e estupro coletivo, a sociedade é forçada a olhar para o agora. “Um pensamento social não muda de um dia para o outro. Ele leva séculos para que a cultura machista seja quebrada”, pontua.

Em um estado que também registrou 151 tentativas de feminicídio no último ano, os núcleos de gênero nas escolas surgem como a luz no fim do túnel — a prova de que, se o machismo é ensinado, o respeito também pode ser. O desafio é: precisa ser já e em todas as escolas.

Veja matéria de Luciana Queiroz, exibida no JT1, abaixo. É só clicar


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