Para quem está se preparando para viajar nas férias de final de ano e começo de ano novo, é bom acompanhar a turbulência que está recaindo sobre a nova polêmica envolvendo as companhias áereas. A cobrança pela mala de mão (aquela que você levava consigo de graça e colocava no bagageiro da aeronave). Sim, algumas companhias já estão cobrando pela mala padrão à bordo, e reduzindo a bagagem de mão gratuita a uma mochila que deve, obrigatoriamente, ir embaixo do assento à sua frente.
O assunto é tão polêmico que o Congresso entrou na briga. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, disse essa semana que a Casa não vai aceitar a cobrança de bagagem de mão, por parte das empresas aéreas. Ele prometeu a votação em urgência de um Projeto de Lei que garante o direito ao passageiro de levar consigo uma mala de mão e um item pessoal sem cobrança adicional. “O consumidor vem em primeiro lugar”, disse Motta, em suas redes sociais.
ANAC EM CIMA DO MURO
Já o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, concedeu entrevista coletiva, nesta quinta-feira (16), para dizer que a agência vai contribuir para o debate sobre as bagagens com base em subsídios técnicos, “que levem a uma regulação equilibrada, preservando tanto o direito dos passageiros quanto a competitividade das companhias aéreas”, diz o comunicado.
“Ouvimos os anseios da Câmara e entendemos as necessidades dos passageiros. Queremos construir juntos um projeto de lei que traga segurança jurídica, mantenha os custos das passagens acessíveis e preserve a competitividade do mercado aéreo brasileiro”, afirmou o presidente. Mas, quem aí entre os prezados leitores acha o preço das passagens acessíveis?
ENQUANTO ELES FALAM, ELAS COBRAM
Enquanto isso não se resolve no campo jurídico e/ ou político, as companhias áereas já deram o jeito delas. Estabeleceram medidas máximas para a mochila de mão (até 10 kg, com 32 cm de largura, 22 cm de altura e 43 cm de profundidade), enquanto aquela mala de mão “padrão Anac”, (55 cm de altura, 35 cm de largura e 25 cm de profundidade) passa a ser cobrada. Em suas defesas, as companhias aéreas (nem todas) iniciaram a cobrança apenas nos voos internacionais com origem no exterior e na rota entre Galeão e Montevidéu (não me perguntem por quê).
Uma coisa que eu posso responder é quanto custa para andar com a mala de mão no bagageiro do avião. Entre R$ 60 e R$ 160, dependo da companhia aérea e do dia de compra da passagem. Óbvio que as empresas criaram uma categoria nova de passagem (mais cara) que já inclui o direito de levar mochila e mala de mão sem taxa extra.
Se a retórica das companhias aéreas vai prevalecer, ou se os legisladores irão mostrar seu valor dessa vez, é algo “a ver”. Enquanto isso, separe um dinheiro extra para a próxima viagem, para não ser pego de surpresa.