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COMPROMISSO PÚBLICO

Fernando de Noronha caminha para ter energia 100% limpa até 2027

Anúncio do projeto foi feito às vésperas da COP 30 e marca início da descarbonização da ilha

A descarbonização — termo usado para indicar a redução do uso de combustíveis poluentes, como o diesel — vai mudar a forma como Noronha produz e consome eletricidade
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Fernando de Noronha deu um passo importante rumo ao futuro. Às vésperas da Conferência do Clima (COP 30), o governo de Pernambuco e a Neoenergia lançaram neste final de semana as obras da Usina Solar Noronha Verde, que promete tornar o arquipélago a primeira ilha habitada da América Latina a ter energia 100% limpa até 2027.

A descarbonização — termo usado para indicar a redução do uso de combustíveis poluentes, como o diesel — vai mudar a forma como Noronha produz e consome eletricidade. Hoje, boa parte da energia da ilha vem de geradores movidos a combustível trazido do continente. A nova usina vai usar a luz do sol e baterias de armazenamento, eliminando gradualmente essa dependência.

Energia do sol para 9 mil casas

O projeto prevê a instalação de mais de 30 mil painéis solares, com investimento de R$ 350 milhões. Essa estrutura terá força para gerar energia suficiente para cerca de 9 mil residências, o que dobra a capacidade atual da ilha.

Na prática, isso significa menos poluição, menos gasto com transporte de combustível e mais autonomia para o arquipélago. Além disso, o sistema de baterias — que guarda a energia gerada durante o dia para ser usada à noite — garante fornecimento constante, mesmo em dias nublados.

Qualidade de vida


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A governadora Raquel Lyra destacou que o objetivo é cuidar da ilha pensando nos moradores e no turismo.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, lembrou que o lançamento ocorre num momento estratégico para o País, às vésperas da COP 30.

“Fernando de Noronha dá exemplo para o mundo. Essas iniciativas são fundamentais para a sustentabilidade do planeta”, afirmou.

O presidente da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, destacou que a usina reforça o compromisso da empresa com a preservação ambiental.

“Mostramos que é possível ter energia limpa e eficiente em um santuário como Noronha”, comentou.

Duas etapas até 2027

As obras serão feitas em duas fases: a primeira deve entrar em operação até maio de 2026, e a segunda, em 2027. Segundo o governo, o licenciamento foi aprovado pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), com apoio do ICMBio, que cuida das áreas de preservação da ilha.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti, classificou o projeto como “um passo gigante rumo ao futuro”.

“Estamos dobrando a capacidade de geração de energia da ilha. É um avanço definitivo”, disse.

O administrador de Noronha, Virgílio Oliveira, acrescentou que o investimento em energia limpa fortalece o turismo e a infraestrutura local.

Exemplo para o mundo

Com o Noronha Verde, o governo de Pernambuco e a Neoenergia querem colocar o arquipélago em um novo mapa — o das ilhas sustentáveis. A mudança pode inspirar outros destinos turísticos que ainda dependem de combustíveis fósseis.

Mais do que um projeto tecnológico, a usina representa uma mudança de mentalidade: um futuro em que a beleza natural de Noronha será preservada também pela forma como a ilha produz sua energia.

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