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MUDANÇA

Pernambuco lança concessão da Compesa para atrair R$ 19 bilhões em investimentos

O contrato terá duração de 35 anos e prevê que a iniciativa privada assuma a distribuição de água e a coleta e tratamento de esgoto

O Sistema Pirapama, localizado no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, é o maior sistema de abastecimento de água de Pernambuco e um dos maiores do Brasil
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



O Governo de Pernambuco marcou para 11 de dezembro a abertura das propostas da concessão parcial dos serviços da Compesa. O leilão está previsto para 18 de dezembro. O contrato, válido por 35 anos, transfere à iniciativa privada a responsabilidade pela distribuição de água e pela coleta e tratamento de esgoto, enquanto a estatal continuará a responder pela captação e tratamento da água.

Investimentos e universalização

Segundo o edital, as empresas vencedoras deverão investir R$ 19,1 bilhões em saneamento, valor que deve ajudar o Estado a cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento — 99% de cobertura no abastecimento de água e 90% na coleta e tratamento de esgoto até 2033. O próprio governo estima, porém, que serão necessários cerca de R$ 35 bilhões para universalizar os serviços.

Situação atual

Atualmente, apenas 34% da população de Pernambuco tem acesso a esgotamento sanitário, percentual abaixo da média nacional de 56%. A meta é alcançar 90% entre 2033 e 2039. No abastecimento de água, a cobertura chega a 87%, mas ainda sob forte esquema de rodízio. Além disso, o Estado registra um índice de 48% de perdas de água, que a concessão pretende reduzir para menos de 30%.

A governadora Raquel Lyra (PSD) destacou que o saneamento básico continua sendo um dos maiores desafios de Pernambuco.

“Quando a gente chegou no governo de Pernambuco, 2 milhões de pessoas não tinham acesso à água. A questão do saneamento básico é um desafio para o nosso Estado, não só no tratamento de esgoto, mas também na distribuição de água. E a gente é submetido a um dos piores racionamentos de água do Brasil. Mas a gente não ficou parado. Nós conseguimos organizar a casa, buscamos recursos de empréstimo, operação de crédito, melhoramos os contratos da Compesa e com isso a gente consegue já dar as respostas”, afirmou.

Redução de doenças e melhorias para quem vive da pesca

Raquel Lyra citou avanços recentes na capital e no interior. Para ela, uma dessas respostas é o esgotamento sanitário de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, após o funcionamento da nova estação de tratamento de esgoto do Cabanga.

“O Cabanga, aqui na região do Pina, é responsável por tratar 40% do esgoto que é emitido no Recife. Imagina o ganho que a gente já teve. A gente tem notícias de pescadores, de marisqueiras, de quem mora perto, da diminuição da muriçoca, do mosquito, do mau cheiro. Tudo isso em razão de que o Estado de Pernambuco colocou neste problema luz e foco para a gente trabalhar para resolver. Isso está acontecendo aqui, em Porto de Galinhas e em várias cidades de Pernambuco, em locais onde a população normalmente imagina que isso já existia e não existe”, disse.

Apoio e contexto nacional

O projeto foi elaborado ao longo de dois anos e recebeu aval de prefeitos de todas as regiões do Estado. De acordo com o secretário de Recursos Hídricos, Almir Cirilo, Pernambuco é o único Estado a estruturar uma concessão que separa a captação e o tratamento da água, mantendo-os sob gestão pública.

“Estamos virando uma importante página da história de Pernambuco. As cidades cresceram, os consumos, tanto residencial quanto empresarial, aumentaram. As mudanças climáticas também reduzem a oferta de água, uma vez que os mananciais têm se tornado mais escassos. Então, não tem como a Compesa atender ao Marco Regulatório do Saneamento, mesmo com todo o investimento que o Estado e a União pudessem fazer. Por isso, esta é a medida mais adequada, que vai efetivamente permitir que nós possamos ofertar um serviço digno às pessoas no que diz respeito ao abastecimento de água e esgotamento sanitário”, justificou Almir Cirilo

Outros 10 estados brasileiros (AL, RJ, AP, CE, PR, RS, SP, SE, PI e PA) já firmaram parcerias semelhantes com a iniciativa privada para acelerar o cumprimento das metas do marco regulatório.

Impacto social

A disputa será realizada na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, e foi dividida em dois blocos. O maior deles, que abrange a Região Metropolitana do Recife, terá outorga mínima de R$ 2,2 bilhões. Já o lote menor, voltado para municípios do Sertão, começará com lance inicial de R$ 87 milhões.

O processo ainda prevê também a ampliação da Tarifa Social, com desconto de 50% para 580 mil residências, o que deve beneficiar 1,6 milhão de pessoas.

Apoio político

Segundo o governo, foram realizadas cinco audiências públicas, nos municípios do Recife, Caruaru, Petrolina, Salgueiro e Serra Talhada. Além disso, foram realizadas audiências na Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) e na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Em julho, prefeitos de municípios de todas as regiões aprovaram o projeto de concessão.

Ainda de acordo com a gestão estadual, a concessão deve acelerar a universalização do saneamento básico e melhorar a distribuição de água nos municípios pernambucanos.

Veja declaração na íntegra da governadora Raquel Lyra

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