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Eu, consumidor

A gasolina não baixou de preço. Mas deveria

Adição extra de álcool a gasolina deveria ter barateado o combustível nas bombas. Mas, "o mercado é livre"

A gasolina não baixou de preço. Mas deveria
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Edilson Vieira

Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, com pós-graduação em Ciência Política pela mesma instituição. Trabalhou com marketing político. Atuou como repórter, produtor, e editor de texto de TV, e ainda como assessor e gerente de comunicação em assessorias de imprensa de empresas públicas. Foi repórter e colunista no Sistema Jornal do Commercio de Comunicação por 11 anos, nas editorias de Veículos e Economia. Está no Portal Tribuna Online PE desde julho de 2023.

Última atualização


Você percebeu uma redução no preço da gasolina nas últimas duas semanas? Eu também não. Mas deveria ter acontecido. É que no início deste mês de agosto, o governo aumentou o percentual de álcool adicionado a gasolina, passando de 27,5% para 30%. Uma das consequências dessa nova mistura, segundo os especialistas, é que o preço do combustível nas bombas poderia cair em até R$ 0,11 por litro, por conta de que o álcool a mais, baratearia o preço final da gasolina. Não foi isso que aconteceu.

Os setores de distribuição e revenda de combustíveis alegam que o preço final na bomba sofre o efeito de outros custos, como impostos, insumos (energia elétrica, frete, etc), gastos trabalhistas, entre outros. E, claro, a margem de lucro. Tem sempre  a margem de lucro, que varia de comerciante para comerciante.

MISTÉRIO

Em minha carreira escrevendo sobre direitos do consumIdor, entrevistei várias vezes a diretoria do sindicato que representa os donos de postos de combustíveis. O que eu sempre ouvia deles é que “o mercado é livre”, ou seja, cada revendedor pode cobrar o preço mais adequado a sua realidade. E a concorrência é que “ajusta” os preços para cima ou para baixo. Tudo isso é verdade. Quer dizer, mais ou menos.

Nunca me explicaram porque o preço da gasolina sobe de elevador e desce de escada. Toda vez que a Petrobras aumenta o preço do precioso líquido nas refinarias o aumento é repassado integralmente (e quase que automaticamente) para as bombas. Quando o anúncio é de redução de preços nas refinarias, o preço para o consumidor pode até baixar. Mas demora, e o percentual aplicado é sempre uma fração do desconto original concedido.  A culpa é dos outros custos envolvidos na operação, lembra?

Neste final de semana, o Procon da Paraíba autuou 69 postos de combustíveis em João Pessoa por um aumento considerado exagerado e que chegou a até R$ 0,40 por litro. O mercado é livre,  mas combinar preços e aplicar aumentos que possam ser considerados abusivos, não é legal. O Procon paraibano ainda notificou 15 distribuidoras para que apresentem as notas fiscais de compra e venda da gasolina no período entre 10 e 15 de julho agora. De acordo com o Procon, a análise das notas fiscais das distribuidoras pode ajudar a identificar a origem do reajuste. Vamos ver no que vai dar.

INFORMAÇÃO BÔNUS

Se você chegou até aqui na leitura, aí vai um bônus: em Pernambuco, é possível encontrar o posto que está vendendo o combustível mais barato na sua região, acessando o aplicativo da Secretaria Estadual da Fazenda. O app chama “Menor Preço”, tem pra iOS e Android. É gratuito e funciona a partir do banco de dados da Sefaz-PE, que leva em conta as notas fiscais eletrônicas emitidas pelo posto, ou seja, os preços são atualizados em tempo real. Baixe o aplicativo, faça a pesquisa, e comece a economizar.

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