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Desativado
“A questão mais importante para se resolver, de imediato, é a segurança da família, que está amedrontada”. A afirmação foi feita, nesta segunda-feira (19), pelo advogado Jean William, um dos que representa a família da grávida Ana Letícia, 18 anos, atingida por disparos de bala por policiais. Ela foi feita de escudo humano por Alex da Silva Barbosa, 33 anos, que, supostamente no momento em que fez a jovem de refém, matou dois PMs..
A gestante permanece no Hospital da Restauração, em estado grave, e o adolescente de 14 anos que estava com ela (seu primo) também recebeu alta nesta segunda-feira (19). Além da grávida e do seu primo, oito pessoas morreram em Camaragibe e Paudalho na semana passada, entre a quinta (14) e sexta-feira (15).
No Palácio
O advogado falou com a Tribuna Online após sair do Palácio do Campo das Princesas e se reunir, na Ordem dos Advogados de Pernambuco (OAB), com a Comissão de Direitos Humanos. Ele foi acompanhado pela advogada Aline Maciel.
Segundo Jean William, o encontro no Palácio realizou-se de forma preliminar e outro foi agendado para esta terça-feira (20), com o secretário executivo de Direitos Humanos, Jayme Asfora. A Comissão de Direitos Humanos da OAB também vai participar.
“Acho que esse foi um gesto de solução”, disse ele, na expectativa de que todas as lacunas do caso sejam resolvidas. A grávida perdeu a visão de um dos olhos e massa encefálica. Duas pessoas da sua família (o pai e o irmão) foram ameaçados pela polícia enquanto tentavam socorrê-la para o hospital.
O irmão chegou a ser torturado. Nenhuma dessas pessoas estavam envolvidas no assassinato protagonizado por Alex.
Entenda o caso
A grávida foi atingida por policiais que estavam perseguindo Alex da Silva (protagonista de todo esse caso). Quando estava fugindo, ele pulou o muro e invadiu a casa e fez a gestante de escudo humano. Alex teria sido perseguido, segundo testemunhas, depois de efetuar disparos na mata (ele era colecionador de armas).
Os PMs mortos, contudo, teriam ido atrás dele, porque receberam denúncia de que alguém estava atirando para o alto em cima de uma laje, onde supostamente acontecia uma festa.
A polícia atendeu a um chamado de que ele estava atirando para cima, numa festa, e foi atrás. Na verdade, segundo testemunhos de familiares, ele estava atirando numa mata próxima (tinha porte de arma).
O encontro terminou com Alex fazendo a gestante de refém, matando os PMs Eduardo Roque e Rodolfo José. Alex fugiu. O primo da grávida feita de escudo humano também foi baleado nesta casa.
O homicídio desses PMs resultou numa perseguição policial que, além de tirar a vida de Alex, atingiu a grávida, o primo dela, e matou mais cinco pessoas da família do atirador.
Veja a nota enviada pelo Governo do Estado à imprensa nesta segunda-feira
Nota à imprensa
O Governo de Pernambuco recebeu, na tarde desta quarta-feira (19), advogados Aline Maciel e Jean William que representam vítimas da ocorrência registrada no município de Camaragibe, no último dia 14 de setembro. A reunião aconteceu no Palácio do Campo das Princesas.
Desde que tomou conhecimento acerca do caso, a Secretaria Executiva de Direitos Humanos (SEDH) ofereceu atendimento psicossocial e jurídico aos envolvidos por meio do Núcleo de Atendimento Provisório (NAP). Ressaltando que por motivo de segurança e previsão legal o tipo de trabalho prestado, bem como as especificidades da proteção e o nome das pessoas protegidas não poderão ser expostos.
As investigações relativas às mortes em Camaragibe estão em curso, através da Secretaria de Defesa Social, sob o comando do Grupo de Operações Especiais (GOE).
O que mais impressionou
Um dos pontos que mais impressionou neste massacre foi que a irmã de Alex, Ágata Ayanne, teria ido à polícia procurar ajuda após a morte dos PMs. Horas depois, ela fez uma live quando os policiais chegaram na rua para procurar Alex e foi uma das que morreu, além de mais dois irmãos do atirador e da sua mãe, que segundo ela relatou a testemunhas, teria sido sequestrada.
Alex morreu após seus irmãos serem assassinados. Ele ainda baleou dois policiais que não tiveram os nomes revelados.