A dona de restaurante Rosineide da Silva Moura, de 45 anos, conhecida como Neide, aguardava há mais de dois anos pela cirurgia para a remoção da vesícula.
Após longos meses de espera, finalmente, na última quinta-feira (14), ela foi chamada para o procedimento no Hospital Agamenon Magalhães, no Recife, com a expectativa de se livrar das dores intensas que a acompanhavam.
No entanto, o que parecia ser a solução se transformou em uma tragédia. No sábado (23), Neide faleceu.
Expectativa e decepção
Neide, que morava com a esposa Márcia Nunes na Rua Maria Amélia de Santana, no bairro dos Estados, em Camaragibe, estava esperançosa e otimista com a cirurgia.
As duas, casadas há um ano, aguardavam ansiosas pela recuperação. Porém, o pós-operatório foi marcado por complicações inesperadas.
Segundo Márcia, a paciente teve uma perfuração no intestino, mas o hospital não informou a gravidade do problema após a alta. Neide, acreditando que as dores eram causadas por gases, passou o feriadão da Proclamação da República e a segunda-feira com intensas dores.
Foi apenas na terça-feira (19), quando o hospital entrou em contato para saber sobre o estado da paciente, que as coisas tomaram um rumo alarmante. “Eles pediram para que eu a levasse na quinta-feira (21), porque na quarta seria feriado. Fomos, mas a demora no atendimento piorou a situação. Encontramos a emergência em condições precárias, sem insumos básicos”, relatou Márcia, que descreve a falta de estrutura e atendimento inadequado.
Erro médico e nova intervenção
Na quinta-feira (21), após novos exames, foi confirmado que o intestino de Neide havia sido perfurado durante a cirurgia, resultando em uma infecção generalizada.
“Eles disseram que o caso era raro, mas que fariam uma cirurgia de emergência para corrigir o erro”, explicou Marcela Moura, filha de Neide. Durante o procedimento, os médicos limparam os órgãos comprometidos pela infecção e realizaram a sutura do intestino. A família foi tranquilizada de que, em breve, Neide se recuperaria na UTI.
No entanto, as expectativas foram frustradas. “Fiquei esperando durante horas. Quando me disseram que a cirurgia tinha sido um sucesso, me pediram para ir embora e voltar no dia seguinte. Mas, ao amanhecer, recebi a notícia de que minha mãe não havia resistido. Ela teve um AVC devido à complicação”, lamentou Marcela.
Denúncia de negligência e busca por Justiça
A família de Neide acredita que houve negligência médica durante todo o processo. “A negligência foi evidente, e queremos que isso seja reconhecido. Estamos dispostos a lutar por justiça”, afirmou Marcela, profundamente abalada pela perda. Em busca de respostas, a família tem usado a hashtag #justiçaorneide nas redes sociais para pressionar as autoridades e o hospital.
Saudade e lembranças
Neide era dona de um restaurante e uma pessoa carinhosa e sempre presente na vida de todos ao seu redor. Amigos e familiares a lembram como alguém de alma generosa, sempre disposta a ajudar.
A tragédia deixou um vazio irreparável na vida daqueles que a amavam. Até o fechamento desta matéria, o Hospital Agamenon Magalhães não havia se pronunciado sobre a denúncia.