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MEIO AMBIENTE

Pernambuco vai retomar monitoramento de tubarões com microchips a partir de maio

Edital marca retomada da pesquisa científica no litoral do Grande Recife e reforça ações de prevenção após quase três anos sem incidentes

Tubarão cabeça-chata, o mais comum no litoral pernambucano. Ele tolera água doce e salobra, o que o faz circular perto de estuários, foz de rios e áreas costeiras rasas
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Com colaboração de Carlos Simões/JT1



Onze anos depois de suspender a microchipagem de tubarões, Pernambuco vai voltar a monitorar os animais na orla do Grande Recife para identificar áreas de risco, horários de circulação e reduzir a possibilidade de novos incidentes.


A retomada do monitoramento será feita a partir do lançamento do Edital de Monitoramento de Tubarões no Litoral de Pernambuco, que prevê o uso de microchips e marca a volta da pesquisa científica contínua na Região Metropolitana, interrompida desde 2015.


O edital já foi lançado pelo Governo de Pernambuco por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-PE) e a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado (FACEPE).


O investimento previsto é de R$ 1,052 milhão, com duração de 24 meses, e o trabalho deve começar a partir de maio.

Do Paiva à Praia do Farol



O monitoramento vai abranger um trecho de 33 quilômetros do litoral, entre a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a Praia do Farol, em Olinda. A proposta é acompanhar os padrões de deslocamento e o comportamento das espécies de tubarões que circulam pela região, subsidiando políticas públicas de prevenção em áreas consideradas de risco.


Atualmente, o monitoramento contínuo ocorre apenas em Fernando de Noronha, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica entre o Governo de Pernambuco e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Com o novo edital, a atuação será ampliada para o litoral continental, integrando ciência, tecnologia, educação ambiental e segurança aquática.


Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, Daniel Coelho, o conjunto de ações desenvolvidas pelo governo estadual tem produzido resultados concretos.

De acordo com a gestão estadual, Pernambuco está há dois anos e dez meses sem registro de incidentes com tubarões na Região Metropolitana do Recife, resultado atribuído à combinação de ações preventivas, reforço na sinalização e ampliação do trabalho educativo nas praias.


Mais guarda-vidas e reforço no verão


Durante o período de verão, quando aumenta o fluxo de banhistas, o Governo de Pernambuco informou que intensifica as ações de prevenção. Segundo dados divulgados, o número de postos de guarda-vidas é ampliado e o efetivo, que gira em torno de 30 profissionais ao longo do ano, sobe para cerca de 48 guarda-vidas a partir de dezembro, aumentando a capacidade de orientação e resposta nas praias.


Além do reforço humano, quatro embarcações atuam de forma contínua na ronda marítima, distribuídas entre Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes. O trabalho inclui orientação direta aos banhistas que entram em áreas de risco, tanto para afogamentos quanto para incidentes com tubarões, com uma média de 1.300 orientações por dia durante a alta estação.


Cuidados preventivos no banho de mar


O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT) e o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco reforçam que o banho de mar, no trecho entre a Praia do Farol, em Olinda, e a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, deve ocorrer preferencialmente em horários de maré baixa e em áreas protegidas por recifes, sempre respeitando as bandeiras de sinalização.


Entre as principais recomendações estão evitar o consumo de bebidas alcoólicas antes de entrar no mar, não nadar sozinho, redobrar a atenção com crianças e evitar áreas de mar aberto, proximidades de foz de rios, águas profundas ou turvas, especialmente nos períodos de amanhecer e entardecer.


Educação ambiental e ciência aplicada


As ações educativas fazem parte do Edital nº 34/2024 da FACEPE, que apoia projetos de divulgação científica, segurança aquática e conservação marinha. Cinco iniciativas desenvolvidas pela UFRPE e pela UFPE contam com o apoio do CEMIT, abordando desde novas formas de sinalização de risco até estratégias de educação ambiental voltadas à convivência segura entre humanos e tubarões.


No total, o conjunto dessas iniciativas representa um investimento previsto de cerca de R$ 5,5 milhões entre 2023 e 2026, voltado à segurança da população, à informação responsável e à conservação dos tubarões e do ambiente marinho em Pernambuco.

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