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RECIFE

“Não matei, não trafiquei drogas”, diz Gilson Machado após ser preso pela PF

Adversários comentam prisão; Humberto Costa solta nota e João Paulo aparece em vídeo dançando forró

Gilson falou com a imprensa ao chegar o IML para fazer exame de corpo e delito
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


O ex-ministro do Turismo Gilson Machado (PL) reagiu com ironia à sua prisão pela Polícia Federal, na manhã desta sexta-feira (13), no Recife. Em entrevista à imprensa, ele negou envolvimento em qualquer ato criminoso e afirmou que apenas tentou emitir um passaporte para o próprio pai, de 85 anos, no Consulado de Portugal.


Questionado diretamente se havia solicitado o passaporte para Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e alvo das investigações do STF, Gilson respondeu: “Não”.

Segundo ele, o próprio Cid já teria cidadania portuguesa. “É público que Cid tem uma cidadania portuguesa. A imprensa noticiou em fevereiro que ele recebeu a cidadania portuguesa”, declarou.

Ao comentar a prisão, limitou-se a dizer: “A justiça de Deus tarda, mas não falha”.

Filho se manifesta nas redes

Horas após a prisão, o filho do ex-ministro, o vereador Gilson Machado Filho (PL), também se pronunciou. Ele foi o vereador mais votado do PL nas eleições de 2024 e o segundo mais votado do Recife.



Em outro post no Instagram, reforçou a crença na providência divina: “A justiça divina nunca falha”.

Veja o que aconteceu mais cedo: Ex-ministro Gilson Machado é preso pela Polícia Federal nesta sexta no Recife

Entenda a prisão

A prisão de Gilson Machado foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele é investigado por suposta obstrução de Justiça, sob a acusação de tentar ajudar Mauro Cid a deixar o país usando um passaporte português.

A investigação aponta que, em maio, Machado teria atuado junto ao Consulado de Portugal no Recife para facilitar a emissão do documento.

A Polícia Federal acredita que o objetivo seria permitir a fuga de Cid, que responde a processos relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2022 e é réu confesso em outros inquéritos.

A operação também teve como alvo o próprio Mauro Cid, que chegou a ter prisão decretada, mas foi solto horas depois. Gilson afirma que jamais esteve pessoalmente em qualquer consulado.

Veja mais: Prisão de Cid é decretada por Moraes, mas defesa diz que ele não foi preso

Veja mais em: Entenda em 5 pontos o depoimento de Bolsonaro no STF

Veja também: Lula diz que Bolsonaro estava ‘quase se borrando’ em depoimento no STF

PL acompanha o caso sem tomar partido

O PL, partido ao qual Gilson e seu filho são filiados, divulgou nota afirmando que acompanha o caso e aguarda esclarecimentos sobre os fatos. Veja nota na íntegra abaixo.



Adversários comentam prisão

O senador do PT, Humberto Costa, posicionou-se pelo instagram de forma dura. 

“Ex-ministro de Bolsonaro, Gilson Machado tentou obter um passaporte português para Mauro Cid no consulado do Recife. Os dois tiverem prisão decretada pelo STF, mas, segundo a defesa, a de Cid foi revogada. Ele está na PF prestando depoimento e a família foi embora para os Estados Unidos. Gilson Machado está preso. É um forte indício da tentativa de fuga de mais um golpista do território nacional.”

No instagram, o deputado João Paulo (PT) aparece num vídeo dançando forró, ritmo que Gilson Machado costumava tocar em sanfona. Ele comemora a prisão de Gilson Machado.

O deputado federal Pedro Campos (PSB) diz que quando uma prisão acontece não há nada a se comemorar, porque significa que algo ruim aconteceu.

Para ele, é algo surreal que, num momento como este, o ex-ministro tenha tentado interferir para favorecer a Mauro Cid. Para ele, é lógico que existe o desejo de algumas pessoas de não responder à Justiça e fugir do país.

“Tudo isso é lamentável. Não há o que celebrar!”

O papel de Mauro Cid na suposta trama golpista

Cid já confessou parte do envolvimento; Ele firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Em seus depoimentos, confirmou a existência das reuniões, a impressão da minuta golpista, e que havia uma tentativa de criar respaldo jurídico e militar para uma intervenção.

Porém, nega ter defendido pessoalmente o golpe, dizendo que “cumpria ordens” de Bolsonaro.

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