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CRIME EM CACHOEIRO

Acusado de matar vendedora usou perfil falso em aplicativo de namoro

Roseli Valiati foi morta pelo namorado depois de descobrir que ele se apresentou com outro nome em rede social e já tinha uma namorada

De capuz, Alexandre Vaz Nunes é conduzido pela polícia, após confessar ter matado Roseli (destaque) com um tiro

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Um namoro que começou em um aplicativo de relacionamento terminou de forma trágica após a vendedora Roseli Valiati Farias, de 47 anos, ser morta com um tiro na testa pelo namorado, o pecuarista Alexandre Vaz Nunes, de 54 anos, enquanto dormia na casa dele, em Cachoeiro de Itapemirim.

Segundo o delegado Felipe Vivas, titular da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cachoeiro, familiares contaram que o relacionamento entre eles começou pelo Tinder. Mas Roseli descobriu, depois, que o perfil usado pelo namorado era falso.

“A vítima descobriu que ele se apresentou com outro nome e tinha uma namorada”, disse o delegado. A família acredita que Roseli estava decidida a terminar o romance e, por isso, acabou morta.

Em depoimento, de acordo com o delegado, o acusado deu outra versão. Afirmou que decidiu matar Roseli porque estaria sendo chantageado por ela, ameaçando contar a história para a namorada dele.

“Ele afirmou ter dito para Roseli que queria ficar na amizade, mas ela queria um relacionamento amoroso e ameaçou contar para a namorada dele”, destacou.

Então, conforme confissão de Alexandre, ele teria convidado Roseli para assistir pela TV ao jogo do Flamengo, no último domingo. Ao chegar, como estava cansada, ela acabou dormindo. O pecuarista pegou a arma, que estava no cofre, e efetuou um único disparo na testa da vítima.

O que chamou a atenção da polícia é que o suspeito manteve a namorada morta dentro de casa até o dia seguinte. Depois de prestar depoimento sobre o desaparecimento de Roseli na delegacia, na última segunda-feira, ele voltou para casa, colocou o corpo dela na caminhonete e foi até Presidente Kennedy. Num local entre Marobá e Praia das Neves, abriu uma cova e enterrou namorada.

O crime foi solucionado com a ajuda de câmeras de videomonitoramento. Por meio das imagens, a polícia concluiu que Roseli chegou à casa dele às 18h48 de domingo.

Foi possível ver ainda que Alexandre saiu no carro dela, um Corolla prata, às 20h59, tendo voltado a pé cerca de uma hora depois. O veículo foi encontrado abandonado, no dia seguinte, em uma rua perto da garagem da Viação Itapemirim.

Segundo o delegado, Alexandre está preso, por meio de mandado de prisão temporária, e responderá por feminicídio e ocultação de cadáver.

Especialistas alertam para risco de namoro pela internet

Conhecer pessoas por redes sociais e iniciar um relacionamento é um risco, segundo especialistas. Uma  pesquisa realizada por alunos da Escola Estadual Professor Hildebrando Lucas, divulgada por A Tribuna na última terça-feira, apontou que 23,1% dos entrevistados  já se relacionaram amorosamente pela internet.

Segundo o mestre em segurança pública Thiago Andrade, esses aplicativos exigem uma série de informações pessoais do usuário o que, por si só, já é um risco. 

“Alguns frequentadores podem estar no ambiente virtual com a finalidade de conhecer outras pessoas para cometer crimes graves, como sequestro, importunação sexual, estupro e homicídio”, disse. 

Ainda segundo Thiago, o usuário deve ter cuidado ao selecionar as pessoas, não sendo adequado fornecer informações como endereço, telefone ou email. 

Segundo o especialista em Segurança Emir Pinho, inúmeros crimes têm sido cometidos por bandidos e até psicopatas que se utilizam dos aplicativos e sites.

“Neste período de pandemia, onde as baladas foram proibidas, estima-se que tenha havido um crescimento de mais de 100% nos encontros e relacionamentos por meio destas ferramentas.” 

Emir destacou que é  importante que os usuários  saibam que os sites e aplicativos podem servir para disfarçar criminosos e tornar as vítimas mais vulneráveis.

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