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COMBATE

Caçadores e traficantes de animais na mira de grupo de elite da PM

Equipe de operações táticas da Polícia Ambiental reforça ações contra as organizações criminosas que agem em regiões de mata

Curso de Operações Táticas em Mata Atlântica está sendo realizado por 22 alunos, de diferentes órgãos

Última atualização

Considerada uma das atividades ilícitas mais lucrativas do mundo, atrás apenas do tráfico de drogas e de armas,  segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o  tráfico de animais silvestres tem atraído bandidos e chamado a atenção dos órgãos de segurança pública do Estado.

Tanto que, para combater esse tipo de crime, já existe um grupo de elite. Com 16 integrantes do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), o grupo de Operações Táticas em Mata Atlântica atua no combate a organizações criminosas que utilizam a região de mata  para cometer delitos como o tráfico e a caça  de animais silvestres, além da venda de drogas. 

Para reforçar esse grupo, um novo Curso de Operações Táticas em Mata Atlântica (Cotama) está sendo ministrado e conta, atualmente, com 22 alunos.

“É um curso especial, planejado pela necessidade de atuação mais específica na região da Mata Atlântica. Os policiais são preparados para atuar  nessas localidades e em zonas de amortecimento, parques. Eles aprendem a lidar com situações de combate aos diversos crimes ambientais e também os associados ao tráfico de drogas”, explicou o tenente-coronel Cosme Carlos da Silva, comandante do BPMA.

A previsão é que, até a próxima sexta-feira,  parte desses 22 alunos se juntem  aos 16 integrantes do grupo de  Operações Táticas em Mata Atlântica para combater os crimes ambientais. No curso, há  sargentos, cabos e soldados da PM do Espírito Santo e de Mato Grosso, bem como agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Secretaria de Justiça.   

“Eles aprendem como realizar abordagem a embarcações e tomada de margens ribeirinhas em conflito. Há aulas sobre comportamento de caçador e palestra sobre acidentes com animais peçonhentos. Há a instrução de rastreamento e contrarrastreamento, de suma importância para localizar infratores em área de mata”, explicou o coordenador do curso, Valter Rosa, capitão do BPMA.

A caça, a captura e o tráfico de animais da fauna silvestre está proibida desde 1967 e é considerado crime ambiental, podendo a pena chegar em até cinco anos de cadeia. 

“Uma pessoa que comete esses delitos pode responder por  associação criminosa e tráfico de animais silvestres e também por maus-tratos”, disse o delegado regional de investigação e combate ao crime organizado da Polícia Federal, Ivo Roberto Costa da Silva.

 













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Treinamentos no ar,  na água e na mata para  as operações

Para combater os crimes ambientais e também o tráfico de drogas, os militares e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Secretaria da Justiça estão fazendo treinamentos no ar, na água e na mata. 

No ar, o grupo de 22 militares aprende a embarcar e desembarcar em helicópteros, quando forem atuar em  áreas de difícil acesso, como as matas. No mar, eles desenvolvem técnicas sobre policiamento e abordagem utilizando as embarcações.

“Eles vão aprender técnicas de abordagens a pessoas suspeitas, por exemplo, que estejam em barcos.  Aprendem qual ação tomar durante uma troca de tiros”, explicou  o coordenador do curso, Valter Rosa, capitão do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA).

Além disso, na mata, o grupo aprende noções de sobrevivência. Para o tenente-coronel Cosme Carlos da Silva, comandante do BPMA, a formação dessa nova equipe coloca o Espírito Santo em posição confortável na relação dos estados que conseguem montar operações em regiões de difícil acesso.

“Com essa formação, agora nós temos condições de entrar numa mata, atrás de um bandido, por exemplo, e permanecer no local, até sua captura”,  disse.

Mais de 13 mil bichos resgatados em três anos

 













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Pelo menos 13.504 animais foram resgatados  pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) nos últimos três anos. O número equivale a quase 38  bichos capturados e resgatados por dia.   

As capturas são   frutos de  ações realizadas pela polícia durante todos os anos, conforme explica o   tenente-coronel Cosme Carlos da Silva, comandante do BPMA.

“São ações que  realizamos através do disque-denúncia  e também ações de policiamento”, disse o comandante. 

Entre os animais capturados que foram resgatados pelo grupo, o comandante citou algumas espécies raras e que praticamente estão em extinção.

“Jacaré do papo amarelo, que está ameaçado de extinção, tatu vivo, todos os tipos de aves que possamos imaginar, papagaios  que também  estão  ameaçados de extinção , coleiros, canários, entre outros”, citou o tenente-coronel.

A maioria dos animais é resgatada com vida, mas uma minoria acaba sendo encontrada já morta. “Também localizamos animais abatidos, como paca, tatu e até gambá. Às vezes, há aves, jacupemba”, relata.

 













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Só no Brasil, o tráfico de animais silvestres movimenta um mercado de R$ 1,5 bilhão por ano, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). É por esse motivo que muitas  organizações criminosas têm agido e cometido o delito.

“Quando falamos em um crime que movimenta essa quantidade,  passa a se  relacionar com outros crimes graves, como a lavagem de dinheiro, por exemplo. E aí é criado todo um esquema que vai envolvendo muitas pessoas”, explica o delegado regional de investigação e combate ao crime organizado da Polícia Federal (PF), Ivo Roberto Costa da Silva.

Diante da alta na prática desse crime,  várias ações vêm sendo feitas, tanto na PF, quanto na PM.

“Além desse lado criminal que envolve  os valores arrecadados com o crime,  temos também a  questão da ameaça à  fauna brasileira e, por isso, estamos empenhados em criar ações que visem ao combate desta prática”, informou o delegado.

Além do combate à captura de animais, o BPMA tem atuado contra a caça predatória. Somente este ano, pelo menos 134 armas e 2.252 munições foram apreendidas.

Já no ano passado, foram 141 armas e 2.847 munições, usadas também para a prática de outros crimes.


Saiba mais


Objetivo 

O Curso de Operações Táticas em Mata Atlântica (Cotama) tem como principal objetivo preparar os profissionais que atuam não somente no Policiamento Ostensivo Ambiental, bem como policiais de outras unidades da PMES e agentes de outros órgãos da segurança pública, para lidarem com situações de combate aos diversos crimes ambientais.

Entre os crimes estão:

– Desmatamentos

– Queimadas

– Caça predatória

– Tráfico de fauna e subprodutos da flora da Mata Atlântica

– Tráfico de animais silvestres

– Drogas

1º curso

O 1º curso realizado no Estado aconteceu em outubro de 2019 e formou 39 militares.

Durante o curso, os alunos recebem aulas teóricas e práticas sobre o bioma mata atlântica, sua fauna, flora, cartografia, sistema de navegação, rastreamento, contrarrastreamento, atendimento pré-hospitalar, operações aquáticas e operações aéreas com foco em embarque e desembarque de tripulantes em área de mata.

Além disso, uma disciplina, inédita no Espírito Santo, que é a técnica de sobrevivência, ministrada pelo Exército brasileiro, também é realizada. 

Com a formação, o policial tem condições de fazer incursão em mata, por várias noites, se necessário, e continuar progredindo no terreno para cumprir sua missão.

Grupamento 

Após o primeiro curso, foi criado, dentro do Batalhão de Polícia Ambiental, o grupamento Cotama, que atua realizando patrulha em área de mata atlântica, manguezais e restingas, além de apoiar  outras unidades da PM e instituições ligadas ao meio ambiente. 

Tráfico de drogas

Outra atividade do grupo é a produção de conhecimento  por meio de relatório contendo gerenciamento de trilhas usadas por traficantes da Grande Vitória, que são repassadas ao comando da PM.

Novo curso

Está em andamento a  2ª edição do  curso do Cotama. Conta com 22 alunos e tem previsão de término no  dia 19.

O curso foi aberto a outras instituições de segurança e conta com integrantes  da PM do Estado e do Mato Grosso, da Secretaria de Justiça e do Ibama.

Fonte:  BPMA.

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