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Polícia

Delegado não vê punição criminal para professores de irmãos em Linhares

As informações de que sinais de abusos já teriam sido percebidos por professora e diretora da escola onde irmãos Kauã Sales Butkovsky e Joaquim Alves ...

Última atualização

 (Foto: Thiago Coutinho)As informações de que sinais de abusos já teriam sido percebidos por professora e diretora da escola onde irmãos Kauã Sales Butkovsky e Joaquim Alves Sales estudavam, acendeu um alerta para casos em que crianças sofrem violência sexual e não conseguem falar sobre o problema.

Especialistas apontaram os sinais que não devem ser ignorados em caso de suspeita de abusos, como comportamentos agressivos, isolamento, falas com teor sexual, mudança no comportamento e até aparência “descuidada” da criança.

A psicóloga e professora do mestrado profissional em Segurança Pública da UVV, Erika da Silva Ferrão, enfatizou que há casos de abusos em toda escola e cabe aos professores, psicólogos e profissionais de saúde identificarem. “Havendo sinais, é preciso notificar o Conselho Tutelar, mesmo que a criança não fale abertamente sobre o que aconteceu. Essa é uma obrigação da escola ou do profissional que a atende.”

Ela apontou marcas de abuso físico e aparente negligência emocional como sinais. “Agressividade, choro e medo excessivo e, principalmente, crianças pequenas com uma fala sobre a dinâmica do ato sexual avançada. Criança que se toca muito e toca partes íntimas dos colegas, são indicadores de presença de violência de algum nível”.

O pedagogo e psicólogo Felipe Goggi frisou que a criança exposta a abusos encontra-se em profunda tristeza. “É muito comum ela ainda se sentir culpada, pois o agressor costuma fazer muitos elogios à característica física ou emocional à vítima. Para se conseguir obter qualquer informação mais consistente, é preciso criar um ambiente de empatia, segurança e muita confiabilidade. Não é tão simples para a vítima relatar os fatos.”

Embora na esfera administrativa, as servidoras serão investigadas e poderão ser até exoneradas.

O delegado Lorenzo Pazolini, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), não vê a possibilidade de crime para elas, na esfera criminal. “Tem o artigo 13 e 245 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que é uma infração administrativa. Pelo fato de se tratar de servidor público, em tese, seria possível uma ação de improbidade (com pagamento de multa), se realmente houve omissão. Por ora, eu não vislumbro outro caminho.”

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