
A promotora Gabriela Manssur, de São Paulo, conta que depois que as denúncias foram exibidas em programa de televisão, já foi procurada por mais de 200 mulheres que fazem relatos semelhantes.
O promotor Luciano Miranda Meireles reforçou a necessidade de que vítimas formalizem as denúncias para que possam ser investigadas. “Por enquanto, o que temos é uma reportagem de TV. Precisamos de casos concretos”.
Segundo ele, o depoimento pode, sim, ser o único meio de fazer a investigação, já que crimes como o de estupro não ocorrem à luz do dia tampouco têm testemunhas.
“Não há por que duvidarmos dos relatos das vítimas. É claro que não vamos encontrar vestígios do crime e nem lesões.”
O órgão fez contato com promotorias de outros estados para evitar que as vítimas tenham que se deslocar até Abadiânia. O MP-GO criou ainda um e-mail específico para receber relatos desse caso ([email protected]).
Segundo os promotores, podem haver três crimes: violação sexual mediante fraude, com pena de até seis anos; estupro, caracterizado por qualquer ato libidinoso, mediante violência ou grave ameaça, cuja pena é de até 10 anos de prisão; e estupro de vulnerável, com até 15 anos de prisão.
O líder espiritual João de Deus passou o dia de ontem em São Paulo para se encontrar com seu advogado, Alberto Zacharias Toron. Segundo o defensor, um ofício foi encaminhado para o Ministério Público e outros seriam enviados para a Delegacia de Polícia e o Fórum de Abadiânia (GO), informando que João de Deus está à disposição para esclarecimentos. “Ele volta para Abadiânia para exercer o trabalho dele, ajudando as pessoas como vem fazendo nos últimos 40 anos”, disse o criminalista.
Entenda o caso
Atendimento
O médium João de Deus é conhecido internacionalmente por pessoas que buscam cura espiritual. Na Casa de Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), ele atende milhares de brasileiros e estrangeiros e foi lá que as vítimas relataram terem sido vítimas de abusos sexuais.
Denúncia
Várias mulheres denunciaram que foram abusadas pelo médium.
Forma de agir
As mulheres que denunciam as agressões sexuais contam que foram escolhidas para consultas particulares, tratadas como se fossem especiais e levadas para um cômodo acessado por uma porta lateral do imóvel onde acontecem os atendimentos. O oferecimento de cristais após os abusos era prática comum.
Vítimas
A coreógrafa holandesa Zahira Lieneke Mous contou que foi abusada em 2014, ficou calada por quatro anos, até que compartilhou a história no Facebook. O ato encorajou outras mulheres a também denunciarem o médium.
O outro lado
A assessoria de imprensa do médium afirmou à imprensa nacional: “Há 44 anos, João de Deus atende milhares de pessoas em Abadiânia, praticando o bem por meio de tratamentos espirituais.”
O advogado informou que ele está à disposição para esclarecimentos.