Traficantes estão inovando nos métodos para vender drogas e receber dinheiro dos clientes. Uma das ferramentas mais novas utilizadas no mundo do crime é um aplicativo para transações financeiras, o PicPay.
As vendas não ficam só no mundo virtual, os valores também são pagos com cartões de crédito. No caso do aplicativo, o programa funciona pelo celular e permite enviar e receber dinheiro, pagar boletos, pagar compras em estabelecimentos, adquirir crédito para o celular, entre outras operações.
Não são todos os usuários de drogas que utilizam essa forma de pagamento. De acordo com o delegado Fabrício Dutra, do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc), são pessoas das classes média e média alta que usam mais.
As drogas mais procuradas desse público, segundo a polícia, são as sintéticas, como o ecstasy e o LSD. Segundo o delegado, esse público tem acesso privilegiado à internet e, por isso, utiliza mais o aplicativo.
Mas antes de pagar pela droga, esses usuários acessam a “deep web” (parte da internet não acessível pelos mecanismos de busca e oculta ao grande público). Depois que traficantes e clientes conseguem se encontrar na internet oculta, o contato passa a ser feito pelas redes sociais. O aplicativo entra no final da venda.
“A gente sabe que o primeiro contato vem fora do aplicativo e depois vem a entrega, que acontece, principalmente, no entorno de escolas, faculdades e em bares.” Dutra explicou que o uso do aplicativo garante que a entrega seja mais rápida, o que reduz os riscos de chamar a atenção da polícia.
“O traficante chega de moto para a entrega, tipo um serviço de “delivery”. Tem que ser rápido. Então, ele não espera a pessoa tirar o dinheiro do bolso… não! Vai pelo PicPay. Se ele já conhece o cliente, já está pago, ele vai lá e só entrega”, descreveu.
Se, por um lado, o uso da tecnologia agiliza o trabalho dos traficantes, por outro, facilita o a investigação e coleta de provas por parte da polícia. “Esse tipo de operação deixa vestígios e nós estamos atentos. Então, a polícia trabalha em parceria com a empresa responsável pelo aplicativo”, afirma Dutra.
Parceria com polícia
O PicPay informou que possui áreas, processos e sistemas de prevenção de fraudes e lavagem de dinheiro, bloqueando as contas suspeitas de atividades ilícitas, inclusive, tráfico de drogas. “Os casos identificados são reportados, em confidencialidade, às unidades competentes. O PicPay apoia fortemente os processos investigativos junto à Polícia Federal e outros órgãos.”
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