Uma empresa do Espírito Santo é acusada de tentar vender 200 milhões de doses da vacina contra Covid-19 ao Ministério da Saúde, de acordo com a Polícia Federal. A reportagem da Folha de São Paulo informou que um empresário teria usado um documento falso de exclusividade com a farmacêutica AstraZeneca para realizar a negociação.
O empresário se apresentou à pasta em janeiro deste ano, por meio de um e-mail, no qual dizia ter exclusividade da empresa para vender lotes da vacina, segundo a reportagem.
Após o primeiro contato com o ministério, o investigado conseguiu o telefone do secretário-executivo da Saúde, Élcio Franco, e enviou a ele uma mensagem com oferta de doses.
Uma reunião foi marcada para 23 de fevereiro e, segundo a Polícia Federal, antes do encontro, o Ministério da Saúde entrou em contato com a AstraZeneca, que negou a existência de contrato com a empresa do investigado.
Durante a reunião, o empresário foi confrontado com essa informação e indicou um amigo, também presente no encontro, que teria essa exclusividade com a farmacêutica.
Um modelo de carta de intenções para a compra da vacina, que deveria ser assinado pelo então ministro Eduardo Pazuello, chegou a ser apresentado pelo amigo do investigado e também teria sido recebido por dois governadores.
A PF trabalha com duas hipóteses. Uma de que a vacina a ser vendida não era da AstraZeneca, podendo ser uma substância falsificada, ou as doses oferecidas não existem.

Em um dos endereços, foram encontradas caixas com centenas de frascos de medicamentos.
“Foram apreendidos computadores, celulares e documentos. O material será analisado juntamente como outros dados da investigação que, até o momento, aponta uma tentativa de golpe, sem qualquer perspectiva quanto à efetiva existência e entrega de vacinas”, disse a polícia em nota.
Os crimes investigados são de associação criminosa, estelionato em face de entidade pública, falsificação de documento particular falsificação de produto destinado a fins medicinais.
Empresário se diz inocente
A reportagem do Tribuna Online entrou em contato com um dos empresários investigados, que teria procurado o governo federal em janeiro para oferecer as doses da vacina.
O suspeito disse ser inocente e questionado se realmente fez contato com o Ministério da Saúde, ele apenas respondeu que teve “discussão interna com secretário executivo” da pasta.
Também garantiu que não ofereceu os imunizantes para prefeitos e governadores. “Nunca mexi com Espírito Santo”, afirmou.
Contudo, em publicação em uma rede social no dia 15 de janeiro deste ano, ele escreveu “atenção redes de hospitais prefeitos e governadores.
Estamos com um grupo de empresários que conseguimos (sic) a vacina para covid-19 com 05 dias após a compra. Pagamento somente na entrega no Brasil”, colocando na sequência um telefone de contato e o aviso “venda somente em grandes quantidades”.
À reportagem, o empresário disse que já falou tudo e que não queria mais se pronunciar.
No entanto, em entrevista à Veja, ele disse que “não existe vacina falsa. Eu comprava de uma empresa que diz representar a AstraZeneca e me deu uma documentação falsa, uma empresa da Alemanha. Apresentei a documentação em janeiro. Está tudo no meu WhatsApp, dá para a Polícia Federal ver que estou falando a verdade”.
Além disso, ainda disse que é uma pessoa correta e que “nunca daria documento falso a general e coronel”.
