
O esquema de venda de gabaritos das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), descoberto pela Polícia Federal durante a Operação Embuste, também é usado em concursos públicos de todo o Brasil, afirmou o delegado da corporação Marcelo Freitas.
“Diversos concursos no País estão sendo efetivamente fraudados, como as seleções para o INSS, a Receita Federal, para delegados, e na área jurídica, para promotor de Justiça, por exemplo. Todos podem ter sido fraudados pelo grupo criminoso que agiu no Enem”, disse.
A quadrilha atuava em Montes Claros, Minas Gerais, e recrutava estudantes e professores com bom desempenho para fazer as provas e transmitir as respostas a quem os contratava. A polícia descobriu que os candidatos pagavam até R$ 180 mil pelo gabarito do Enem e até 10 vezes o valor do salário do cargo pretendido em concursos.
A PF explicou que os candidatos usam no ouvido um pequeno ponto eletrônico, dispositivo intra-auricular de comunicação. O candidato fraudador também esconde, embaixo da roupa, um aparelho que recebe ligação celular
dos informantes e tem tamanho similar a um cartão de crédito. Esse dispositivo manda informação para o ponto eletrônico no ouvido do candidato. Após o uso, o ponto pode ser retirado com um ímã. As trocas de informações são feitas em tempo real.
Para o delegado Marcelo Freitas, ambas as ferramentas podem ser descobertas com o uso de detector de metais. No entanto, ele acredita que o equipamento não esteja sendo usado de maneira eficiente pelos fiscais de prova do Enem e de concursos públicos.
Na operação que envolve as provas do Enem e de concursos, 10 pessoas já foram presas. A PF informou ainda que outras investigações sobre fraude em concursos estão sendo realizadas pelo País.
Para desarticular os esquemas de venda de gabaritos em provas e exames, a Polícia Federal utiliza o Sistema de Prospecção e Análise de Desvios em Exames, software desenvolvido pela própria corporação a fim de subsidiar apurações de fraudes. “Os relatórios do sistema são encaminhados concomitantemente à perícia, para validação e análise estatística, e aos policiais, para que procedam à investigação criminal”, informou a PF, em nota.
Jéssica Romanha
Confira a reportagem completa no Jornal A Tribuna desta terça