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Ainda sem acreditar na cena que viu na noite de quarta-feira (31), ao se deparar com o corpo da aposentada Neusa Ribeiro da Costa, de 88 anos, no chão do quarto, com sinais de violência, a cuidadora da idosa disse que ficou surpresa e abalada com a crueldade que foi feita com ela, e que a aposentada não merecia ser morta da forma que foi.
A idosa foi encontrada morta dentro de casa, no bairro Ilha das Flores, em Vila Velha. Neusa estava com as pernas amarradas e um lençol no pescoço, indicando que poderia ter sido assassinada asfixiada.
Dois homens, de 36 e 34 anos, e uma mulher, de 35, que seria companheira do suspeito de 36 anos, foram presos na manhã de quinta-feira (1º), no bairro Vila Batista, no mesmo município, acusados de matar a aposentada.
Confira a seguir a entrevista da cuidadora da idosa.
A Tribuna – Como você ficou sabendo do crime?
Cuidadora – Uma sobrinha dela me ligou contando. E eu fui correndo para casa dela.
Qual foi a cena que você encontrou?
Ela no chão do quarto, com os pés amarrados e um lençol no pescoço e na boca, não sei ao certo.
Tinha sangue no chão?
Sim. E eu fui na cozinha e senti falta de uma faca. Depois, percebemos que tinha um furo no pescoço dela.
Você trabalhou com ela no dia do crime?
Sim. Eu deixei ela deitadinha no quarto. Tranquei tudo, o cadeado, fechei as portas e fui embora. Geralmente eu fico até às 16h, mas na quarta-feira ela estava muito agitada por conta do Alzheimer.
Ela não gostava muito que as pessoas ajudassem ela, que eu ficasse aqui com ela. A orientação da sobrinha dela era que, quando ela ficasse assim, que era para eu ir embora cedo e foi o que eu fiz.
Trabalhava com ela há quanto tempo?
Há dois meses.
O que você sentiu quando chegou na casa e a viu naquela situação?
Olha, eu estou muito arrasada. Ver aquela cena foi uma situação difícil para mim, porque ela era uma pessoa muito querida, tinha uma história sofrida de vida.
Ela já trabalhou muito, foi mecânica, batalhou muito, tinha 88 anos e um bom coração… e fizeram essa crueldade com ela.
Ela gostava de ajudar as pessoas?
Sim. Inclusive, tinha um homem, um desses suspeitos, que sempre vinha aqui na parte da tarde pedir dinheiro e ela dava. Até paramos de dar dinheiro à ela, porque houve um furto aqui uma vez…
Então ela dava dinheiro para esse suspeito?
Sim. Ele a chamava pelo nome e pedia dinheiro e ela. Bondosa que era, dava o dinheiro.
Há um mês, um deles veio aqui e pediu dinheiro à ela. Não sei se ela deu, mas sei que ele a ameaçou. Fizeram uma crueldade com ela, ela não merecia isso.
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Vítima ajudava um dos acusados
Além de roubar joias folheadas a ouro da aposentada Neusa Ribeiro da Costa, de 88 anos, os suspeitos de matá-la ainda levaram todos os alimentos da geladeira dela, incluindo carnes e até uma garrafa de cachaça, que estava em um móvel da residência. Além disso, os criminosos roubaram eletrodomésticos, como uma televisão de 50 polegadas.
“Foram frios e covardes. Vi que levaram quase tudo da geladeira, tinha carnes também. Até uma garrafa de cachaça”, disse a cuidadora da idosa, de 45 anos, que pediu para não ser identificada.
A funcionária contou que Neusa era muito querida pelos vizinhos, principalmente pelo bom coração que tinha. Ela gostava de ajudar as pessoas, inclusive, um dos suspeitos de ter a assassinado.
Neusa morava na Ilha das Flores há 40 anos, era viúva e seu único filho já morreu. Ela tem sobrinhos que moram em São Paulo e em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Segundo uma sobrinha da vítima, apesar dos convites dos sobrinhos para que ela morasse com eles, Neusa não queria sair da sua casa.
Quem a conheceu disse que ela era muito vaidosa, usava brincos, roupas coloridas, cabelos pintados e estava sempre com um sorriso no rosto.