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CRIMES CIBERNÉTICOS

Golpes na internet fazem 632 mil vítimas no Estado

É o que revela pesquisa que aponta o perfil dos internautas. Armadilha do amor e clonagem de WhatsApp estão entre os mais aplicados

A aposentada Maria de Lourdes Malu Ferreira da Silva, 66 anos, amarga um prejuízo de R$ 5 mil.

Última atualização

Em  crescente escalada, o  Espírito Santo tem 3.327.891 pessoas com acesso   à internet,  o que representa 81% da população.  De olho nesses alvos, golpistas vêm agindo e já  contabilizam 632.299  vítimas no  Estado.  

É o que revela  uma pesquisa  inédita,   executada por alunos da Escola Estadual Hildebrando Lucas,  em Vitória, sob a  coordenação do   especialista em Tecnologia da Informação Eduardo Pinheiro. 

Golpes como o do amor, clonagem no WhatsApp,  do sistema de pagamento instantâneo (Pix), comércio eletrônico e  falsos e-mails de instituições financeiras estão entre os tipos mais aplicados.

Eduardo Pinheiro explicou que a  pesquisa foi realizada este mês por  alunos do  Ensino de Jovens e Adultos (EJA), da disciplina Cultura Digital. 

“Eles  criaram um formulário no Google Forms para compartilharem o link da pesquisa via WhatsApp. Durante oito dias, a partir do dia 1º,  a pesquisa ficou disponível para ser respondida”, contou.

Na pesquisa, foram ouvidas   pessoas a partir de 10 anos. No universo dos entrevistados, 40,2%   tem  entre 31 e 50 anos de idade; 27,4%  entre 51 e 64 anos;  13,3%  estão na faixa de  18 e 30 anos;   11,3% entre 10 e 17 anos e 7,7%   acima de 65 anos.

Quem faz parte dessa estatística é uma aposentada de 66 anos que, há cerca de dois meses,  perdeu  R$ 4.500  achando que estava transferindo o dinheiro (Pix)  para a filha, uma administradora de 41 anos.

Se passando pela filha, o  golpista mandou mensagem no   WhatsApp da mãe, com a foto da administradora. Ele usou a desculpa de que o telefone tinha caído na água e  o único contato seria por aquele número.

“Pediram para eu passar um Pix  de R$ 4.500, o que fiz achando que era para ajudar a minha filha. Eles falavam que precisavam fazer um pagamento na obra. De fato, ela está em obra. Na hora, fiz o depósito, pois eles sabiam de detalhes que só eu sabia”, contou  a aposentada Antonia Maria Apolinário Ferreira.

 Passados 20 minutos, em um    novo contato, o golpista pediu mais R$ 6.500 alegando   novamente que seria para a obra. A transferência só não foi feita porque o banco não permitiu. “É revoltante. Infelizmente, sei que perdi essa quantia. Serviu de  lição”, lamentou.

 













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Ação na Justiça após prejuízo

Quem amarga  um prejuízo de R$ 5 mil é a aposentada Maria de Lourdes Malu Ferreira da Silva, 66 anos. Imaginando que  falava  com um  funcionário do   banco, ela  depositou a quantia para um golpista. 

“Ele tinha os meus dados  e disse que  estava  agendado um pagamento de R$ 2,7 mil, o que não procedia. Falou que o aplicativo poderia ter sido clonado e me mandou  ligar para um  0800. Atenderam dizendo que era do Banestes”.

Segundo ela, disseram que seria feita  limpeza no aplicativo e pediram para transferir  R$ 5 mil. “Percebi que era golpe, mas fiz o Pix  e, em 10 minutos, cheguei na agência achando que teria como  bloquear,    porém, fiquei no prejuízo. Entrei na Justiça. Não sou obrigada a entender de transações bancárias, mas tenho consciência de que os meus dados  são de  responsabilidade do banco”.

Banco orienta cliente

O Banestes informou que nunca entra em contato com o cliente solicitando que ele execute  ou que desfaça uma transação, bem como  nunca  liga solicitando que o cliente digite senha, Btoken ou dê informações.  Na dúvida,  orienta, desligar e ligar de outro aparelho para a central 0800 727 0474 ou falar com o  gerente (contatos no site www.banestes.com.br).

A pesquisa

Perfil do Internauta Capixaba

A pesquisa foi elaborada pelos alunos da disciplina   Cultura Digital, da Educação de Jovens e Adultos  (EJA) da Escola  Estadual Hildebrando Lucas. 

Entre os objetivos, estava conhecer o perfil do internauta capixaba e a cultura da segurança digital dele. 


Metodologia

Por meio de um formulário enviado pela internet, 533 pessoas responderam ao questionário no período de 1º a 8 de outubro. Os entrevistados não foram identificados.

Quem são os entrevistados


Residência 

91,2% moram na Grande Vitória

8,8% são  de outras regiões do Estado


Sexo

62,6% são do sexo feminino

37,4% são do sexo masculino


Faixa etária

Idade %

Entre 31 e 50 anos 40,2% 

Entre 51 e 64 anos 27,4% 

Entre 18 e 30 anos 13,3% 

Entre 10 e 17 anos   11,3% 

Acima de 65 anos 7,7%

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