Ameaçar, agredir e privar idosos de itens e cuidados essenciais, colocando em risco sua saúde é crime. Ainda assim, dados do governo federal indicam que a violência doméstica contra este público bate recorde: de janeiro e dezembro de 2021, foram mais de 82 mil denúncias no País.
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Além dos maus-tratos, este grupo também tem sido alvo frequente de golpistas, que se aproveitam de sua vulnerabilidade.
No Estado, os números também assustam: segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), de janeiro a abril deste ano já foram registradas 273 denúncias de maus-tratos a idosos, que incluem abandono e agressões até mesmo de filhos.
Diante dos casos, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) faz um alerta para a importância da denúncia e para as diferentes formas de violência contra este grupo, entre as quais a psicológica, física, financeira, além da negligência e abandono.
“Temos uma população envelhecendo no País. E muitos idosos têm sofrido em silêncio. Em parte, eles deixam de denunciar, pois têm medo ou vergonha, uma vez que a agressão, muitas vezes, vem de dentro de casa. Por outro lado, muitos têm dificuldade de identificar a violência sofrida, em especial a psicológica”, explicou Larissa Serelli, presidente do departamento de gerontologia da SBGG-ES.
Faltando pouco para o Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, na quarta-feira (15), ela acrescentou que a sociedade precisa estar preparada para conseguir identificar e denunciar esses casos, que cresceram com as medidas de restrição impostas pela pandemia da covid-19.
A delegada Milena Gireli, da Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso (Depi), lembrou que a maioria dos casos de violência doméstica registrados no local é cometida pelos próprios filhos, netos ou pessoas próximas.
“Temos situações de ameaças, maus-tratos e abuso financeiro que, na maioria das vezes, são praticados por familiares, filhos e netos que acabam se aproveitando da fragilidade do idoso”, apontou.
Segundo a polícia, os aposentados, principalmente, têm sido alvo de criminosos em uma série de golpes.
Entre eles estão empréstimos consignados realizados de forma fraudulenta, de WhatsApp e até de vigaristas se passando por funcionários de bancos.
OS NÚMEROS
273 casos de violência, maus-tratos e abandono de incapaz contra idosos no Espírito Santo foram reportados à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) de janeiro a abril deste ano.
ENTENDA
Crimes recorrentes:
Negligência – Falta de atenção às necessidades da pessoa idosa, colocando em risco a vida ou a saúde dela, através de condições degradantes ou privação de alimentos ou cuidados indispensáveis .
Violência psicológica – Caracterizada por insultos, ameaças e outros tipos de agressões verbais e gestos que afetam a autoimagem, a identidade e a autoestima do idoso.
Violência física – Caracteriza-se por gerar dor, golpear, lesar, gerando várias consequências para a vida da pessoa idosa, como perda ou abuso dos direitos humanos, o medo e a depressão.
Violência financeira – Exploração da renda e apropriação do patrimônio do idoso, às vezes obrigando-o a contrair empréstimos e outras dívidas ou a se desfazer de seus bens.
Abandono – Abandono de incapaz ocorre contra quem não tem capacidade de exercer a vida civil de maneira autônoma, não só idosos como crianças e deficientes mentais.
Principais motivações?
Atritos familiares, interesse financeiro por parte de quem comete o crime.
Perfil das vítimas: Têm entre 60 e 90 anos;
Boa parte são do sexo feminino;
A maioria vive com filhos e irmãos.
Quem são os autores?
Os familiares, irmã, irmão e filhos.
Canais de denúncias
– DISQUE 100: De forma anônima e gratuita, o serviço está disponível 24 horas.
– WHATSAPP DO DISQUE 100: 61- 99656- 5008.
– APLICATIVO Direitos Humanos.
– DELEGACIA do idoso: (27) 3227-9545
OS NÚMEROS
– 273 casos de violência , maus-tratos e abandono de incapaz contra idosos no Espírito Santo foram reportados à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), por meio de boletins de ocorrência de janeiro a abril deste ano.
– Entre os principais atos de violência sofridos está a física (lesão corporal), com 252 casos, maus-tratos (19) e abandono ( 2) . Essa última prática violenta teve aumento em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados nove casos, segundo dados da Sesp.
Fonte: Sesp.