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“Já busquei meu filho em boca de fumo”, diz dona de casa

Foram 18 anos de luta. Mas uma dona de casa, de 65 anos, nunca perdeu a esperança de ver o filho longe drogas. A batalha foi longa, com direito a ...

Última atualização

Foram 18 anos de luta. Mas uma dona de casa, de 65 anos, nunca perdeu a esperança de ver o filho longe drogas. A batalha foi longa, com direito a buscá-lo até em bocas de fumo. Mas valeu a pena. Hoje a mãe comemora a recuperação do filho, que, aos 40 anos, se livrou do vício e virou pastor.

Entre as medidas adotadas pela mãe para salvar a vida do filho está o pagamento de clínicas de reabilitação.

Dona de casa sempre manteve a fé de que iria livrar o filho das drogas (Foto: Fábio Nunes/AT)“Já paguei para interná-lo várias vezes. Gastei cerca de R$ 10 mil pagando dívidas que ele fazia com o tráfico de drogas. Fora as inúmeras vezes em que eu fui em bocas de fumo. Na verdade, eu já busquei meu filho em boca de fumo várias vezes de madrugada”, conta a dona de casa, que preferiu não se identificar.

Para conseguir pagar as dívidas com o tráfico, a dona de casa disse que chegou a fazer empréstimos. Depois foi até discriminada dentro da própria família por isso.

“No desespero, meu marido uma vez falou: ou eu colocava meu filho para fora de casa ou ele mesmo saía, porque não aguentava mais aquela situação. Muitos não entendiam porque eu fazia aquilo. Mas era o meu filho. Não podia deixar que fizessem algo com ele”, disse.

Angustiada com os vários “sumiços” do filho, que começou a usar drogas aos 14 anos, a mãe conta que chegou a passar noites em claro, desenvolvendo problemas de saúde.

“Eu não dormia, só cochilava. Apenas conseguia dormir quando ele entrava em casa. Mesmo assim, se ele estivesse acordado, não dormia. Ficava com medo dele sair e ir para as bocas. Passei a ter uma dor no estômago devido a tudo o que eu estava vivendo”, disse.

O sofrimento da dona de casa e de toda a família durou dos 14 aos 32 anos do filho, idade em que ele aceitou ser internado em uma clínica de recuperação para dependentes químicos.

“Lá, ele conheceu a mãe do filho dele. Se recuperou, depois caiu novamente, mas, quando falou para ele mesmo que não voltaria a usar drogas, parou”.

Ela julga ser muito importante o apoio da família e a religião no processo de cura de viciados. “Foram 18 anos de sofrimento. Várias vezes pensei em desistir, mas, se não fossem as conversas com meu filho, apoio da família e minhas orações, não teria conseguido”.

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