Uma dona de casa, de 23 anos, e a filha dela, de 2 anos e 5 meses, passaram momentos de desespero quando tiveram a casa incendiada na manhã de domingo (13), no bairro São Francisco, em Cariacica. Elas ficaram feridas. O ex-marido da jovem, pai da criança, é o suspeito de ter cometido o crime.
Mãe e filha moram em um apartamento no segundo andar de um prédio. Um gesseiro de 24 anos contou que ajudou no combate ao incêndio. Ele relembrou que a mulher estava dentro do apartamento, com a porta aberta, quando o homem chegou com um vidro de álcool e, em seguida, ateou fogo.
“Foi um desespero enorme. Só ouvimos o barulho e a jovem gritando. Corremos para ajudar, mas os vizinhos também nem conseguiram sair. Tiveram que pular as janelas porque a porta estava tomada de fogo, e a fumaça, por ser tão preta, tomou todos os andares do imóvel”, explicou.
Ainda segundo a testemunha, a preocupação maior foi com a criança, que ficou presa no apartamento. “Para piorar a situação, estamos sem água e tivemos dificuldades para apagar as chamas. Tentamos da melhor forma. Juntamos baldes com água, mas não foi o suficiente. As chamas só abaixaram após a chegada dos Bombeiros”.
Um aposentado, de 66 anos, se emocionou ao relembrar do momento em que ajudou a salvar a vítima. “Estávamos em casa quando ouvimos o barulho. Unimos forças para salvar as duas. Arriscamos até as nossas vidas, mas juntos conseguimos evitar o pior”, completou.
A jovem mora no local há pouco mais de dois meses, por isso, os vizinhos não a conhecem muito bem, mas sabem que ela vive sozinha com a filha.
Por nota, a Polícia Militar disse que “de acordo com informações colhidas no local, o incêndio teria sido criminoso, provocado pelo marido e pai das vítimas. Ele não foi localizado”.
O Corpo de Bombeiros atuou no combate às chamas e socorreu a mulher, que ficou com queimaduras nos braços e nas costas.
Ela foi encaminhada ao Hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra. Já a criança, que inalou fumaça, foi levada para o Hospital Infantil de Vitória.
Abraço para salvar a filha
“Quando chegamos, ela estava abraçada com a filha, como se quisesse protegê-la. Talvez seja por isso que a menina não tenha queimaduras, ao contrário da mãe, que está com as costas queimadas”.
O relato é do aposentado de 66 anos, vizinho da mãe e filha que tiveram o apartamento incendiado.
A irmã da vítima, de 30 anos, mora no mesmo condomínio. Ela informou que, minutos antes do incêndio, o ex-marido da jovem apareceu em sua casa procurando pela vítima, mas ela não estava.
“Ele falou que queria conversar com ela porque minha irmã não estava atendendo o celular. Eles já estavam mantendo um relacionamento conturbado. Em janeiro, terminaram definitivamente, depois de quase 10 anos. Mas começou a virar um relacionamento tóxico”, explicou a irmã da vítima.
Ao saber do incêndio, ela correu para ajudar, mas já encontrou a irmã sendo socorrida. “Ela não conseguiu falar muito. Estava com as costas queimadas e a menina também chorava bastante”.
O capitão Pedroni, do Corpo de Bombeiros, disse que o incêndio a princípio não colocou a estrutura em risco. “Cabe à perícia identificar a origem. A autoria ficará com a Polícia Civil, mas todas as testemunhas relatam a mesma história, que o ex-marido seria o autor”.
