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Polícia

Jovem suspeito de integrar quadrilha de cheques falsos é preso com carro clonado

Rafael foi levado à delegacia. Foto: Tais de Hollanda Um jovem de 22 anos foi preso na manhã dessa terça-feira (14) com um Fiat Siena prata roubado e ...

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Rafael Athaíde Camara Rafael foi levado à delegacia. Foto: Tais de Hollanda

Um jovem de 22 anos foi preso na manhã dessa terça-feira (14) com um Fiat Siena prata roubado e com placa clonada. A prisão aconteceu após investigações da participação dele numa quadrilha especializada em cheques falsificados. O acusado, o embalador Rafael Athaíde Camara, negou os crimes.

Ele foi preso na rua de casa, em Porto Canoa, na Serra, às 10h. O titular da Delegacia de Polícia de Jardim Camburi, delegado Márcio Braga explicou que há cerca de 15 dias começou a investigar o acusado após receber denúncias de várias vítimas de que se queixavam de desfalques financeiros em suas contas a partir de depósitos de cheques forjados.

“Chegaram casos para nós de saques de quantias como R$ 2 mil, R$ 1,5 mil, com o máximo de R$ 3 mil a partir de cheques de vários bancos que seriam falsificados. Não podemos adiantar muito, pois o caso está em investigação, mas é uma quadrilha especializada no Estado”, contou.

Por meio de investigações, um dos suspeitos a que a polícia chegou foi Rafael. “Há 10 dias, quando chegamos até ele, vimos que ele estava num Siena prata. Mas quando fomos consultar, o carro era considerado regular. Não tinha restrições criminais. Ao puxar a placa do veículo chegamos até o dono do carro”.

A polícia descobriu que um comerciante de 32 anos, dono de um Siena prata, registrou uma ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Viana em outubro por não reconhecer uma multa de avanço de sinal na Serra, com suspeita de clonagem de placa.

“Hoje (terça) fomos até a rua da casa dele e o encontramos saindo de sua residência. Fomos até o carro e descobrimos que o veículo além de estar com placa clonada, era roubado. Dentro do armário da casa dele apreendemos uma pistola de brinquedo”.

Na delegacia, o acusado afirmou que os cheques usados por ele não seriam clonados e sim que foram roubados. “Ele argumentou que fez um roubo e quando fomos checar, de fato, em 12 de julho deste ano houve um roubo a funcionário de um carro de transporte de cheques de compensação de bancos em Porto Canoa. Mas ainda vamos investigar a procedência desses cheques”.

Ele foi autuado por adulteração de placa de veículo, receptação e será indiciado por dois roubos.

Suspeito afirmou contar com ajuda de vizinhos para uso de cheques

Investigado por integrar uma quadrilha de cheques clonados, o embalador Rafael Athaíde Camara, 22 anos, chegou a afirmar para o delegado titular da Delegacia de Polícia de Jardim Camburi, Márcio Braga, que contava com a ajuda de vizinhos para poder sacar o dinheiro fruto dos cheques clonados.

“Estamos investigando de que modo ele teve acesso a esses cheques, mas ele contou que chegou a pedir a vizinhos para depositar o cheque na conta e em troca ele dava 10% do valor. O pedido também era feito a desconhecidos. Ele falava que tinha um cheque, mas não tinha conta e que se a pessoa sacasse para ele o valor seria compensada”.

O delegado ressaltou que tal prática é crime. “Quem empresta a conta pode responder por estelionato. E se a prática de emprestar a conta para depósitos desses cheques falsificados for recorrente, a pessoa pode ser penalizada por formação de quadrilha”.

O acusado tem passagem por tráfico e por receptação. “Nesse ano mesmo ele foi preso após ser pego com um carro roubado e com placa clonada. Foi na Delegacia Regional de Polícia da Serra”.

Braga afirmou que o acusado confessou ter roubado o Siena prata em Santa Bárbara, Cariacica e que durante o assalto havia uma criança. “Parece que eles agiram com violência durante o crime e que chegaram a colocar a criança, filha da dona do carro, no chão”.

O delegado afirmou que o grupo no qual Rafael atua age na Grande Vitória e que não descarta a participação de mulheres no crime.

“Meu maior medo era do criminoso causar algum atropelamento”, contou vítima de clonagem

Recebi uma multa de 11 de setembro desse ano, como se eu tivesse avançado sinal na ES-010, em Manguinhos, na Serra. Só que moro em Viana e não vou para a Serra de carro. Já registrei na delegacia no início de outubro e fui no Departamento de Trânsito (Detran), entrei com recurso.

Semana passada um policial me ligou perguntando sobre o carro e expliquei que achava que tinha tido minha placa clonada. Ele me falou que ligaria, pois já estavam de olho no suspeito e hoje (terça) me ligaram. Primeiro posso dizer que ser vítima de clonagem de carro é constrangedor. A gente trabalha tanto para conseguir ter um carro e ele do nada é clonado. Meu maior medo era do criminoso causar algum atropelamento, fazer vítima de outros tipos de crime. Pois multa é o menor dos problemas.

comerciante de 32 anos, vítima de clonagem

“Só não quero que meus filhos sigam nesse caminho”, diz acusado

Medindo palavras, o acusado Rafael Athaíde Camara, de 22 anos, negou parte dos crimes no qual é acusado e confessou outros em entrevista para A Tribuna. Ele foi preso com um carro roubado que estava com placa clonada e é suspeito de fazer parte de uma quadrilha que usa cheques clonados.

A Tribuna – Você é acusado de estar numa quadrilha que falsifica cheques. O que tem a dizer?

Rafael Athaíde Camara – Eu achei o cheque na rua.

E hoje (terça) você foi preso com um carro roubado.

Não roubei. Comprei por R$ 400 e dei um celular.

Mas sabe que esse não é o preço normal de carro, que era roubado. Porque comprou?

Peguei para não ser muito visto e na placa está tudo certinho.

Mas qual sua necessidade de não ser visto?

Já tive problemas com o tráfico. Fui do tráfico por dois anos.

E porque saiu?

Não ficava mais com minha família, não dormia. Saí.

E porque você tinha uma arma falsa?

Ela está quebrada. Mas era para gastar mesmo, brincar. Tenho até bolinhas de paintball lá em casa.

Mas a polícia não apreendeu as bolinhas, só a arma.

(silêncio)

Tem filhos?

Sim. Um de cinco anos e outro de 1 ano e nove meses.

Está sendo preso hoje (terça). Se pudesse o que deixaria de recado para os seus filhos em relação ao crime?

Fico na minha. Só não quero que meus filhos sigam nesse caminho. Mas eles têm família boa.

Sua família não é boa?

É.

Então é para não seguir no crime, pois não leva a nada?

Nem futuro.

 

Reportagem: Tais de Hollanda

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