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Polícia

Lojas de armas desviavam munições importadas para o crime organizado

Investigação no Espírito Santo encontrou 10 tipos de fraudes em lojas de armas e munições e prisões de empresários ligados ao crime

Armas apreendidas pelos policiais
Foto de perfil de Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho é jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 2007, e tem aproximadamente 20 anos de experiência na profissão. É repórter multimídia das editorias de Cidades e Polícia do Jornal A Tribuna, com reportagens também publicadas no portal Tribuna On-line. Escreve reportagens especiais semanais para a editoria de Polícia do Jornal A Tribuna. Tem experiências com apresentações de podcasts e videocasts, além da participação ao vivo em telejornais da TV Tribuna, em colaboração com apresentadores, em casos de repercussão. Na função de redatora, atuou por 9 anos em editorias como Polícia, Cidades, Economia e Política do jornal impresso.

Última atualização

Dez tipos de fraudes foram identificados em lojas de armas e munições investigadas pela Polícia Civil do Espírito Santo. Entre as irregularidades estão a venda de armamentos com documentos falsos e a comercialização clandestina de munições importadas, sem emissão de notas fiscais. A investigação também identificou compradores ligados ao crime organizado e pessoas com renda incompatível com os valores movimentados.

Entre os casos identificados, um assalariado com renda declarada inferior a R$ 3 mil teria comprado 40 mil munições em um ano, em uma única loja. A investigação também apontou um comprador que movimentou centenas de milhares de reais sem renda lícita e confessou fazer a contabilidade de uma das duas maiores facções criminosas do Estado.

Segundo o titular da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), delegado Guilherme Eugênio Rodrigues, o esquema envolvia munições importadas que, segundo a investigação, eram comercializadas sem o devido registro fiscal.

“E na loja cujo dono foi preso inicialmente, constatou-se que ela não havia emitido nota de nenhuma venda de munição, nenhuma venda de munições importadas, e que havia 1.400 munições de fuzil 556”, afirmou.

Armas apreendidas pelos policiais
Armas apreendidas pelos policiais Foto: Divulgação/PCES

A Receita Estadual analisa notas fiscais de entrada e saída e os estoques das empresas para identificar divergências e rastrear os destinatários das mercadorias. O auditor fiscal Peterson Bragante Costa explicou que os dados podem ajudar a identificar compradores sem capacidade financeira para adquirir os produtos.

“Na nota fiscal de saída a gente consegue identificar o nome da pessoa física que fez a compra e através de investigação vai conseguir identificar: ‘Olha, essa pessoa ela não tem capacidade financeira para adquirir isso’. E com isso eles vão conseguir e complementar a investigação dele e identificar se realmente está sendo municiado, o crime organizado com munições, com armas ou não.”

As empresas podem receber autos de infração, ter sócios responsabilizados e ser excluídas do Simples Nacional, passando a pagar tributos mais altos. A perícia da Polícia Científica também vai examinar as armas apreendidas, verificar possíveis adulterações e buscar conexões com outros crimes por meio do banco balístico nacional.

O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, destacou a integração entre os órgãos envolvidos, incluindo Polícia Militar, Polícia Federal, Exército e Secretaria da Fazenda.

“Então, quando todas as forças fazem essa atuação integrada, possibilita desvendar com muito mais clareza eventuais irregularidades.”

A investigação seguirá com a apuração das vendas clandestinas de munições e a identificação dos compradores e dos responsáveis de fato pelos estabelecimentos.


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