
Manun, nascido em Bangladesh, morava há seis anos no Brasil como refugiado, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Ele era dono de um mercado e de uma agência de turismo, usados para lavagem de dinheiro.
A organização criminosa chegou a movimentar R$ 40 milhões, e 42 contas bancárias foram bloqueadas pela justiça, explica o delegado Marcelo de Carvalho: “Ele criava contas em nome de terceiros, normalmente pessoas que eram traficadas, criava empresas em nome dessas pessoas e utilizava de uma estrutura com o objetivo de lavar o dinheiro decorrente do crime de contrabando de migrantes”.
Aproximadamente 200 pessoas foram levadas ilegalmente para os EUA, a maioria dos imigrantes vinha de países do sul da Ásia, desembarcava no aeroporto internacional de São Paulo e seguia para Rio Branco, no Acre. De lá, faziam a travessia da América Central de ônibus, carro e a pé até a fronteira com o México, onde entravam ilegalmente nos EUA.
Os migrantes de Bangladesh eram trazidos para uma rua de pouco movimento com casas residenciais, para não chamar a atenção. Eles ficavam dentro de uma casa, em cárcere privado, até que as famílias pagassem pelo serviço completo de imigração ilegal.
Além de Manun, outros sete estrangeiros foram presos, quatro bengaleses e três paquistaneses, acusados de formar uma quadrilha especializada no tráfico internacional de pessoas. Na casa utilizada pelos criminosos, foram encontradas pelo cinco pessoas que aguardavam o momento da viagem.