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Polícia

Maioria das mulheres agredidas não denunciam violência, diz pesquisa

Uma pesquisa elaborada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Instituto Datafolha revelou um dado preocupante em relação a ...

Vítima de violência doméstica encarou agressor nos olhos

Última atualização

Uma pesquisa elaborada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Instituto Datafolha revelou um dado preocupante em relação a violência contra a mulher. O estudo apontou que 52% das mulheres entrevistadas, que foram vítimas de alguma agressão, não tomaram nenhum atitude ou registraram ocorrência para denunciar a violência sofrida.

A pesquisa “Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil” está em sua segunda edição – a anterior foi em 2017 – e ouviu 2.084 pessoas em todas as regiões do Brasil. Dos entrevistados, 1.092 eram mulheres – há perguntas que englobam a violência contra a mulher em geral, por isso homens também foram ouvidos.

Os pesquisadores perguntaram às mulheres ouvidas no estudo se elas sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses. A essa questão 70,8% das entrevistadas revelaram ter sido alvo de algum tipo de violência. O número é 0,6% maior do que o registrado pela pesquisa em 2017.

Entre as mulheres que sofreram uma agressão mais grave, nos últimos 12 meses, 52% delas não tomaram nenhuma atitude em relação a violência sofrida. Já 29,6% relataram ter procurado ajuda em órgãos não oficiais, como a família, amigos ou a igreja. Apenas 22,2% disseram ter procurado um órgão oficial, Delegacia da Mulher ou comum, Polícia Militar ou a Central de Atendimento à Mulher.

A delegada chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher da Polícia Civil, Cláudia Dematté, reconhece que os números de denúncias poderiam ser ainda maiores, mesmo que o número de registros tenham aumentado.

“Muitas mulheres ainda sofrem caladas, seja por possuírem ligação afetiva com o agressor, seja por medo de sofrer violência ainda maior, seja por sentir vergonha dos vizinhos, de amigos e da própria família, seja por medo de prejudicar o autor da violência, seja por ser ele pai de seus filhos, seja por não possuir condição financeira favorável e pensar que dependem do agressor para sobreviver. Infelizmente, ainda são inúmeros os fatores que impedem ou dificultam as vítimas a denunciarem”, lamentou a delegada.

Considerando seus agressores, as mulheres revelaram que 76,4% deles são conhecidos. Questionadas sobre quem são eles, 23,8% das entrevistadas disseram ter sido vítimas de seus cônjuges, companheiros ou namorados, enquanto que 21,1% foram agredidas por vizinhos e 15,2% sofreram violência de ex-companheiros, ex-cônjuges ou ex-namorados.

O local mais comum onde a violência ocorre é dentro da casa da vítima (42%), revelou o estudo, seguido da rua (29,1%).

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