Uma pesquisa revelou um dado preocupante: a maioria das mulheres já sofreu assédio em meios de transporte. De acordo com o levantamento, realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, em parceria com uma empresa de transporte por aplicativo, 97% das mulheres entrevistadas afirmaram terem sido vítimas de assédio em ônibus, metrô, táxi ou transporte por aplicativo.
A pesquisa ouviu 1.081 brasileiras, das classes A, B, C e D, com mais de 18 anos, de todas as regiões do País, que utilizaram transporte público e transporte por aplicativo antes de fevereiro deste ano, data do início do estudo.
“Acreditávamos que o número era significativo, porém não imaginávamos que a dimensão de resposta seria tão alta. A pesquisa confirma que, infelizmente, o assédio sexual no transporte faz parte da rotina das mulheres brasileiras”, observou Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.

No mês passado, a auxiliar administrativo Lidinéia Fortunato, 28, foi importunada quando estava a caminho do trabalho em um ônibus. “Era cedo, o ônibus estava relativamente vazio e um rapaz ficou me encarando e chamando de gostosa, delícia. Ele só parou quando sentaram ao lado dele”, contou.
Já a administradora Jaciane Leite, 29, presenciou um caso de assédio, também em ônibus.
“O homem começou a passar a mão pelas pernas da mulher e beijá-la no rosto. Ela pediu para ele parar, foi então que a coloquei sentada em meu lugar. O homem ainda me xingou por impedir que ele continuasse”, relatou.
De acordo com o advogado criminalista Flávio Fabiano, em casos de importunação sexual, quem comete o crime pode ser preso em flagrante. “São atos com prisão imediata, com pena de um a cinco anos de reclusão”.
De acordo com a psicóloga Karla Cardozo, ansiedade e medo de se relacionar com outras pessoas estão entre os traumas que a vítima de assédio pode ter.
Pesquisa
- Pesquisa realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com o apoio de uma empresa de transporte de aplicativos, revela que 97% das mulheres já foram vítimas de assédio em meios de transporte no País.
- Foram entrevistadas 1.081 brasileiras, das classes A, B, C e D, com mais de 18 anos, de todas as regiões do País, que utilizaram transporte público e transporte por aplicativo anteriores à data do início do estudo, em fevereiro deste ano.
- De acordo com a pesquisa, 71% das mulheres entrevistadas conhecem alguma mulher que já sofreu assédio em espaço público.
- Segundo o levantamento, para 72% das entrevistadas, o tempo para chegar ao trabalho influencia na decisão de aceitar um emprego ou de permanecer nele. Ainda assim, 46% das entrevistadas não se sentem confiantes para usar meios de transporte sem sofrer assédio sexual.
Como denunciar
A Polícia civil, por meio da delegada Cláudia Dematté, orienta que a mulher que for vítima do crime de importunação sexual, de estupro e demais crimes contra a dignidade sexual procure a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher do município onde ocorreu o fato para registrar o Boletim de Ocorrência.
A denúncia é necessária para que os autores dos fatos sejam investigados e punidos por seus atos.
caso testemunhe cenas de importunação sexual, a pessoa deve se posicionar e auxiliar a vítima, de forma que não coloque em risco a sua segurança pessoal e a dos envolvidos, segundo a delegada.
Por fim, não deixe de acionar a Polícia Militar ou registrar uma ocorrência policial na delegacia mais próxima.
Fonte: Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, e Divisão Especializada de Atendimento à Mulher.