Se toda a droga encontrada em uma casa de luxo em um condomínio fechado em Guarapari fosse vendida, o lucro chegaria a R$ 1,6 milhão para os traficantes. Essa é a estimativa da Polícia Civil ao encontrar cocaína e crack em um laboratório que funcionava em Buenos Aires.
O esquema na casa, que tinha até piscina, era chefiado por um empresário, 40 anos, que não foi localizado. A Polícia Civil chegou ao laboratório após denúncia anônima. O titular da Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic), delegado Guilherme Eugênio, revelou que o material estava guardado em cima do forro de PVC do sótão da residência.
Eram sete quilos de pasta-base de cocaína, cafeína, acetona, ácido bórico, balanças de precisão, liquidificador, máscaras, sacolas para embalar a droga, crack e cocaína prontos para venda, além de duas espingardas e munições.
“Tudo que era necessário para o preparo do crack e da cocaína estava na casa. O imóvel foi adquirido em 2015, mas o laboratório não aparentava funcionar o tempo todo, já que tudo ficava escondido. O dono já foi identificado e há provas robustas de que ele se envolveu na atividade, não necessariamente na venda, mas nas etapas produção e preparo de toda a droga”, explicou.
Não havia ninguém no local, mas os banheiros estavam molhados e a polícia acredita que as pessoas tenham saído momentos antes. Uma mulher, apontada como familiar do empresário, foi levada para prestar esclarecimentos, mas foi liberada. Segundo o delegado, ela não fazia parte do esquema.
Além do empresário, uma segunda pessoa também é investigada, e segundo o delegado, seria o chefe do tráfico no bairro Seringal, em Viana, destino final da produção. “Juntos eles passaram a produzir drogas no local ermo em questão. Já apresentamos o pedido de decretação da prisão preventivas de ambos”, completa.
O veículo usado pela dupla, uma caminhonete L200, também foi apreendido. “Os bens podem ser incorporados ao patrimônio do Fundo Nacional de Combate às Drogas”, finaliza Guilherme Eugênio.
Três laboratórios fechados em 3 meses

Em janeiro, a polícia encontrou uma casa que funcionava como “atacadista de droga”, no bairro Perocão. A polícia apreendeu uma quantidade de crack que era suficiente para o preparo de mais de 10 mil pedras, que seriam vendidas a R$ 10 cada. Duas pessoas foram presas em flagrante e uma terceira é procurada pela polícia. O lucro seria de R$ 100 mil.
Em dezembro do ano passado, um casal foi preso após policiais militares localizarem uma estufa com plantação de maconha, em uma casa no bairro Recanto da Sereia. O local era climatizado, inclusive com iluminação artificial para o desenvolvimento dos 176 vasos da planta. O casal levava uma vida de luxo na capital, em Vitória.
Em novembro, cerca de R$ 100 mil em drogas foi encontrado em uma chácara na região do bairro Village do Sol. A droga estava dentro de uma caixa térmica enterrada. Exatos 2.838 pinos de cocaína prontos para a venda, além da droga já fracionada, 1,3 quilo de cocaína, avaliado em cerca de R$ 30 mil, meio quilo de pasta-base de cocaína e quase 4 mil pinos vazios foram apreendidos.
“O fim de mais um laboratório é a esperança de que essa atividade se torne cada vez mais arriscada e menos rentável em Guarapari. Estamos trabalhando intensamente para tornar o município não atraente para este sentido. Se alguém optou por essa atividade aqui, queremos dizer que não é a melhor opção. Vamos tornar essa atividade de alto risco para quem insistir”, enfatizou.
