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Médica deixou carta dizendo que era ameaçada e tinha medo de ser morta

Milena Gottardi foi morta a tiros no estacionamento do Hospital das Clínicas, no último dia 14. Foto: Acervo pessoal A médica Milena Gottardi, ...

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Médica oncologista pediátrica, Milena Gottardi. Milena Gottardi foi morta a tiros no estacionamento do Hospital das Clínicas, no último dia 14. Foto: Acervo pessoal

A médica Milena Gottardi, assassinada no último dia 14, deixou uma carta na qual dizia que tinha medo de ser morta pelo marido, o policial civil Hilário Frasson.

Ela também escreveu que temia pela segurança das filhas e que acreditava que Hilário, que tinha obsessão por ela, também poderia se matar. Eles estavam em processo de separação.

Na carta, escrita no dia 5 de abril deste ano e registrada em cartório do dia 8 do mesmo mês, Milena fala que Hilário era agressivo com palavras e que quando ela falava em separação ele ameaçava uma “guerra”. “Eu me tornei refém dentro da minha própria casa”, escreveu.

Na carta a médica diz ainda que caso algo lhe acontecesse, gostaria que suas filhas ficassem sob a guarda de seu irmão e que não denunciou o marido para não prejudicá

A carta foi divulgada à imprensa na manhã desta quinta-feira (21) por uma pessoa ligada à família.

Leia a carta na íntegra:

*Os nomes das filhas de Milena não serão divulgados por ser tratarem de crianças.

 

Vitória, 05 de abril de 2017.

Meu nome é Milena Gottardi Tonini Frasson, sou mãe de X (9 anos) e Y (1 ano e 10 meses). Sou casada com Hilário Antônio Fiorot Frasson, mas estamos em processo de separação.

Temos um relacionamento de 20 anos (7 anos de namoro e 13 anos de casamento).

Por várias vezes ele demonstrou um temperamento difícil com mudanças de humor frequentes durante o dia. Reage com agressividade em algumas situações, porém sem agressão física. A agressividade é feita através de palavas. Tem manias como de limpeza excessiva que ao meu ver é muito sugestivo de transtorno obsessivo compulsivo. Toda essa personalidade sempre me preocupou e me oprimiu, porque nunca sabia como ele reagiria às situações do cotidiano. Orientei por diversas vezes à procura tratamento psiquiátrico, mas ele nunca levou à sério. Ia ao psiquiatra, mas não seguia o tratamento proposto.

A situação ficou mais grave a partir do momento que o alcoolismo começou a se tornar algo real nas nossas vidas. Ele era um etilista social (embora mesmo nos finais de semana sempre abusava da quantidade de álcool), o hábito se tornou diário.

Em relação às meninas, sempre foi um bom cuidador, porém, principalmente, com X usava também de palavras agressivas e de castigos físicos para corrigi-la.

A nossa relação sempre foi de posse. Ele sempre demonstrou muita obsessão à minha pessoa, mesmo antes do namoro.

Diante de todos esses fatos, hoje sairei de casa com minhas filhas por determinação judicial, uma vez que estou desde o dia 05/03/17 tentando convencê-lo a sair de casa e/ou aceitar pacificamente a separação. No entanto, não obtive êxito nas inúmeras tentativas.

Nas conversas ele sempre partia para o lado das ameaças. Falava que não sairia de casa, nem deixaria as meninas, que se eu me separasse ele declarava guerra, que se mataria (falou isso perto de X) dentre outras falas.

Me sinto uma refém dentro da minha própria casa. Está insuportável! Não quero brigar com ele, mas também não consigo ter uma conversa, um diálogo. Ele não permite isso.

Temo pelas crianças. A X está em acompanhamento com a psicóloga B a qual orientou que a poupássemos de qualquer divergência entre o casal, mas ele grita e fala coisas terríveis perto dela. Não aguento essa situação, por isso pedi ao juiz a liberação para sair de casa com as meninas para me poupar e, principalmente, as meninas de um ambiente hostil.

No entanto, não sei qual será a reação dele. Tenho medo que essa agressividade verbal se concretiza (sic) em atitudes. Temo em ele tirar sua própria vida e como vemos em muitos casos, tirar a minha vida também. Poderia ir na delegacia e relatar meus temores, mas não quero prejudicá-lo. Desejo muito que a situação seja resolvida pacificamente.

Embora, desejo e rezo pela paz eu tenho duas crianças que dependem de mim que são X e Y. Dependem do meu amor, do meu carinho, dos meus ensinamentos e financeiramente.

Por isso, venho através desta carta expor a minha vontade que se acontecer algo de ruim comigo, por exemplo, se Hilário Antônio Fiorot Frasson me matar e pode ser que tente se matar também, eu desejo que as minhas filhas X e Y fiquem sob a guarda do meu irmão Douglas Gottardi Tonini com a supervisão da minha mãe Zilda Maria Gottardi, porque assim ficarei em paz. Sei que eles têm plena (sic) condições de seguir com os ensinamentos e afeto para com as minhas filhas da forma que eu mesma faria. Bem como de utilizar todos os benefícios financeiros a favor da educação das minhas filhas.

Expresso essa vontade em vida e na forma dessa carta para que se acontecer algo comigo, que as autoridades responsáveis possam se sensibilizar com o desejo de uma mãe que estava em busca somente de paz.

A separação será para mim a busca de paz e com isso uma casa harmoniosa para criar minhas filhas. X e Y tenham certeza que vocês são o bem maior que tenho. O meu amor por vocês é infinito. Um dia vocês saberão que a mamãe tentou de todas as formas manter o casamento, mas não deu. E a separação foi a forma que eu encontrei de buscar a nossa paz e a nossa felicidade. Eu sempre estarei com vocês para protegê-las e amá-las.

Milena Gottardi Tonini Frasson

Milena escreveu carta a mão. Veja:

Carta deixada por médica assassinada

 

Carta deixada por médica assassinada

Carta deixada por médica assassinada

https://youtu.be/pEbnnndgXU8

 

Reportagem: Keyla Cezini e Rodrigo Couto

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