
A Tribuna – Com quantos anos o Pedro começou a jogar futebol?
Orlenilson Freitas – Com cinco anos ele já jogava. Atuou em vários times, inclusive no Cruzeiro. Quando ele era adolescente e jogava no Atlético de Itapemirim, um torcedor o viu e o convidou para jogar no Peru. Ele aceitou e foi aos 16 anos. Quando tinha 17, ele voltou para o Brasil. Ele estava prestes a assinar um contrato no Peru. Aqui ele conheceu uma menina, começou a namorar e não quis mais voltar para o Peru. Esse ano ele jogou no Tupy, de Vila Velha, e também no Vilavelhense, na série B.
Como era o seu filho?
Ele era o tipo de pessoa que, se chegasse em um lugar onde estavam 100 pessoas, ele fazia amizade com 101. Todo mundo gostava dele. Ele tinha o temperamento forte, mas também tinha um bom coração. Meu filho era o meu troféu, era tudo o que pedi a Deus. Ele herdou de mim querer cuidar as pessoas. Eu também já me envolvi em confusão para defender amigos.
Ele estava com contrato com algum time?
O campeonato estadual acabou e atualmente ele não tinha contrato. Mas estava treinando. Ele e o irmão montaram uma loja de açaí e ele também iria começar a fazer um curso de porteiro. Meu filho tinha muitos planos.

Eles pediram a mãe se poderiam sair e ela veio me contar. Eu não falei nada para não a contrariar. Quando meu telefone tocou, às 5h08, meu coração dizia que tinha acontecido alguma coisa. Eu atendi e ninguém falava nada, mas eu ouvi um princípio de confusão.
Como o senhor soube que o seu filho tinha sido baleado durante uma confusão?
Fiquei preocupado e fui até o DPJ de Vila Velha, pois moramos perto. Um policial conversou comigo e falou que tinha acontecido uma confusão e que tinha gente baleada. Depois um vizinho me ligou contando que era o Pedro. Mas eu não sabia que ele tinha morrido. Soube que o atirador tinha sido preso. Eu fiz questão de ficar cara a cara com quem atirou no meu filho.
O que o senhor disse a ele?
Falei: “eu gostaria que você olhasse no rosto do pai do menino que você atirou”. Ele olhou mas não sei o que o olhar dele significou. Não sei se ele queria me amedrontar ou se estava arrependido. Espero que ele tenha Deus no coração e que saiba que tirou a vida de uma boa pessoa. Me preocupo com meu outro filho, que viu tudo.