Motoristas de aplicativo estão adotando medidas extremas em meio à insegurança durante o trabalho. Há profissionais que carregam armas de fogo e até spray de pimenta dentro do carro e deixam faca na cintura para reagirem no caso de um assalto durante as corridas.
É o caso de um motorista de 25 anos, que atua há cerca de dois anos com corridas por aplicativos. Ele contou que utiliza uma faca como proteção para evitar assaltos.
“Um passageiro solicitou a corrida, sentou no banco da frente, simulou estar armado e anunciou o assalto. Logo peguei a faca e ameacei ele. Foi um risco que corri, mas ele implorou para eu não fazer nada”, conta o motorista, sem querer se identificar.
Há também motoristas que utilizam spray de pimenta e até mesmo armas de fogo legalizadas, por conta da sensação de insegurança. É o que afirma a Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo (Amapes).
Mas a Amapes repudia o uso desses artifícios, pois alega que os profissionais não possuem treinamento e orienta não reagir contra bandidos.
Com medo de se tornar vítima de criminosos, uma motorista, que também não quis se identificar, conta que tem spray de pimenta guardado desde que começou a trabalhar na categoria, há mais de dois anos.
“Nunca precisei usar, ainda bem. Hoje em dia não tem horário mais para acontecerem crimes. Estamos em perigo de dia, noite e madrugada”, disse a motorista.
Após ser vítima de tentativa de sequestro e latrocínio em julho, uma motorista, de 35 anos, que não vai ser identificada, começou a usar canivete e spray de pimenta para se proteger.
“O que me salvou foi eu ter pedido socorro em um grupo de conversa com colegas da profissão, mas não é algo que quero arriscar. Deu certo daquela vez por um descuido do criminoso, mas não podemos esperar isso sempre”, relatou.
A Polícia Militar disse que realiza policiamento ostensivo com o objetivo de combater todo tipo de crime e que diariamente são desenvolvidas operações com foco em abordagens a todo tipo de veículo, em toda a Grande Vitória.
Dica para compartilhar localização
A sensação de insegurança faz com que motoristas de aplicativo tenham que contar com algumas táticas contra casos de violência. As próprias plataformas atualizaram seus aplicativos com medidas de segurança para ajudar o motorista. No entanto, outras soluções acabam sendo eficazes.
A Associação de Motoristas de Aplicativos (Amapes) orienta os profissionais a compartilharem a localização em tempo real em grupos de colegas de trabalho. Outra medida é prestar atenção em como o passageiro está se comportando na viagem. E evitar trafegar por bairros considerados perigosos em horário noturno.
Trabalhando como motorista há quatro anos, Samer Rosa Molla, de 49 anos, acredita que nunca passou por situação perigosa porque sempre se resguardou.
“Tirei dúvidas com amigos motoristas. Nunca trabalho até tarde da noite. No máximo, até as 22 horas. É um risco trabalhar, por exemplo, à noite e em bairros perigosos”, disse.
Ciente da situação do mercado, uma nova empresa de transporte por aplicativo começa a operar hoje na Grande Vitória e contará com medidas de segurança por meio da tecnologia com inteligência artificial.
No novo aplicativo, motoristas terão as viagens monitoradas em tempo real. Quando o celular sair de perto do veículo, a viagem demorar mais que o programado ou o motorista sair da rota, uma número fictício irá ligar para que o condutor fale senhas como: “Oi, mãe!”.
Imediatamente, o Ciodes (190) será acionado. O mesmo irá acontecer caso o motorista não atenda.
Crimes contra motoristas de aplicativo
Enterrado em praia
Depois de aceitar uma corrida e ficar cinco dias desaparecido, o motorista de aplicativo Anderson Luiz, de 31 anos, foi encontrado morto, enterrado na praia de Jacaraípe, em 8 de junho deste ano. Segundo a Polícia Militar, um homem havia ligado para o Ciodes dizendo que o corpo de Anderson estava enterrado na praia.
Tiro no braço
Um motorista de aplicativo, de 22 anos, levou um tiro no braço depois de ser sequestrado por três suspeitos, no último dia 6. Mesmo com medo, a vítima conseguiu gravar as ameaças.
A corrida começou na Praia do Canto, em Vitória, com destino à Praia da Costa, Vila Velha. Dois suspeitos entraram no carro, mas, quando chegaram próximo à Terceira Ponte, anunciaram o assalto.
No áudio gravado pelo motorista, é possível ouvir a vítima pedindo para que os bandidos levassem o que quisessem e o deixassem ele ir embora, pois queria voltar para casa e ver a filha de 2 anos. No momento da fuga, os bandidos dispararam contra a vítima, que foi atingida no braço direito.
Facada na cabeça
Na madrugada do dia 15 de agosto deste ano, um motorista de aplicativo foi esfaqueado na cabeça e agredido por bandidos enquanto realizava um corrida, em Porto de Santana, Cariacica. Durante as agressões, ele chegou a se ajoelhar e implorar pela vida.
Os passageiros embarcaram em Vila Velha e durante o trajeto anunciaram o assalto. A vítima chegou a passar por cirurgia e ainda se recupera.
