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“Não desejo que nenhuma mãe passe pelo que eu vivi”, diz dona de casa

Uma mãe passou horas de desespero após a filha, de 3 anos, ser sequestrada por uma adolescente, de 16 anos, na noite de terça-feira (5), em Santo ...

Dona de casa com a filha de 3 anos: menina foi levada por uma adolescente, mas foi encontrada depois. Mãe afirmou que ficou com muito medo: “Foram momentos de desespero. Ela estava descalça, tentava não pensar no pior. Quando me encontrei com ela foi um alívio”

Última atualização

Uma mãe passou horas de desespero após a filha, de 3 anos, ser sequestrada por uma adolescente, de 16 anos, na noite de terça-feira (5), em Santo Antônio, na Serra. A pequena foi encontrada quase quatro horas depois, com a menor, em Timbuí, Fundão.

De acordo com a mãe da criança, uma dona de casa de 23 anos, que não quis ser identificada, a filha estava brincando com outras crianças em frente a casa da tia. Por volta das 19 horas, ela percebeu que estava muito silencioso e foi procurar pela menina, que não foi encontrada. Foi quando começaram os momentos de desespero.

“Ficou muito silencioso e achei estranho, porque criança faz barulho. Como era em frente à casa da minha irmã e somos conhecidas na região, ela podia brincar livremente. Quando não a encontrei, comecei a perguntar onde estava a minha filha e ninguém sabia, fiquei desesperada”, contou.

A mãe fez uma publicação no Instagram e a informação do desaparecimento começou a se espalhar pelo WhatsApp. Algumas horas depois, a dona de casa recebeu uma ligação de um homem que afirmou que sua filha teria sido vista embarcando em um ônibus com uma mulher e indo em direção a Timbuí.

Momentos depois, o Conselho Tutelar de Fundão recebeu denúncias de que uma mulher, aparentando ser menor de idade, estava com uma criança em seu poder agindo de forma estranha.
A denunciante informou que a menor parou em seu estabelecimento para se alimentar e que a perguntou se a menina seria sua filha. A adolescente disse que sim e que a menina se chamava Vitória. A garota de 3 anos negou que se chamava Vitória e foi quando a mulher desconfiou da situação.

As conselheiras localizaram a suspeita e passaram a acompanhá-la a distância. A menor foi abordada pelo Conselho em uma área de mata e a criança foi resgatada. A adolescente tentou fugir, mas foi detida pela Polícia Militar .

As crianças que brincavam com a menina sequestrada contaram que a adolescente começou a conversar com a vítima e, instantes depois, saiu com ela. Elas pensaram que a garota seria conhecida da família.

Moradores de Santo Antônio afirmaram que a adolescente já foi vista na região outras vezes.

Dona de casa com  a filha de 3 anos: menina  foi levada por uma adolescente, mas foi encontrada depois. Mãe afirmou que ficou com muito medo: “Foram momentos de desespero. Ela estava descalça, tentava não pensar no pior. Quando me encontrei com ela foi um alívio” (Foto: Fábio Nunes/AT)


Dona de casa mãe da criança: “Foram momentos de desespero”


Em poucos minutos, o silêncio na rua se transformou em desespero. Pouco antes das 19 horas, a criança de 3 anos brincava em frente à casa da tia, na Serra, quando a adolescente chegou conversando e a chamou para sair.

Às 19 horas, a mãe da criança foi procurá-la e não a encontrou mais. Ali, começaram os momentos de desespero da dona de casa de 23 anos. Ela só teve alívio depois das 22h30, quando conseguiu abraçar a filha, em Timbuí, Fundão.

A Tribuna – Quando percebeu algo estranho?

Dona de casa – Ela brincou a tarde toda. Por volta das 17 horas, ela subiu e me pediu um picolé e pediu para continuar brincando, eu deixei. Por volta das 18h45, fui dar banho na minha filha mais nova e percebi um silêncio. Achei estranho e desci. Vi que o portão estava fechado e que o chinelo e brinquedos dela estavam na garagem. Foi quando perguntei a algumas pessoas e ninguém soube me dizer onde ela estava. Fiquei desesperada. Avisei meus familiares, que saíram procurando pelo bairro. Comecei a espalhar pelas redes sociais e ajudar na procura.

Quando soube onde ela estava?

Por volta das 20 horas, recebi a ligação de um rapaz informando que tinha visto uma menina parecida com minha filha entrando em um ônibus com uma mulher para Timbuí. Foi quando deu uma luz de esperança. Avisei meus familiares, que fizeram o caminho até Timbuí.

Como foram esses momentos?

Foram momentos de desespero. Ela estava descalça, tentava não pensar no pior. Quando me encontrei com ela foi um alívio. Ela nem tem ideia do que aconteceu. Ficou brincando na delegacia com os familiares e comigo. Tão inocente que nem falava nada sobre o assunto.

Espero que nenhuma mãe passe por isso. Não saber onde sua filha está, com quem. Fiquei mais desesperada quando disseram que ela estava pelo lado de Timbuí, porque li reportagens sobre tráfico de crianças por aquela região. Via situações como essa passarem em jornais, mas nunca pensei em vivenciar algo parecido.


“Peguei mesmo e ia levar para casa”, afirmou a acusada

Depois de quase quatro horas de sequestro, a adolescente de 16 anos foi apreendida pela Polícia Militar e a criança de 3 anos encontrada.

Ao ser questionada pelos policiais sobre o motivo de ter raptado a criança, ela confessou que havia levado a menina e não justificou o motivo, mas, como consta no boletim de ocorrência, apenas respondeu: “Vi a criança. Peguei mesmo e ia levar para a casa”.

Ela também se negou a dar qualquer informação, inclusive sua identidade. Polícia Civil informou que a ocorrência foi entregue na Delegacia Regional de Aracruz. “Adolescente assinou um Boletim de Ocorrência Circunstanciado por ato infracional análogo ao crime de subtração de incapaz e foi deixada aos cuidados do Conselho Tutelar”, disse por nota.

Crianças contaram que a adolescente se aproximou da criança e começou a conversar com a menina. Instantes depois, pegou a pequena pela mão e saiu com ela.

Moradores do bairro Santo Antônio, na Serra, local do rapto, afirmaram conhecer a menor e que ela costuma rondar a região e que, inclusive, seria usuária de drogas.

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