“Bandido bom é bandido morto, desde que não seja seu filho”. Com essa frase, a mãe de um adolescente, de 13 anos, lamentou a ação de traficantes, que julgaram e puniram seu filho no tribunal do crime.
O rapaz foi agredido por criminosos e baleado com um tiro em cada uma das mãos, após cometer vários assaltos em Bairro de Fátima e Hélio Ferraz, na Serra.
Em lágrimas, enquanto aguardava para ver o filho, que segue internado em um hospital da Serra, a dona de casa, de 34 anos, disse, na tarde de ontem, que prefere ver o filho preso, antes que ele seja morto pelos traficantes. “Eu queria que meu filho estivesse preso. Queria que ele voltasse para a cadeia, porque, lá, ele estaria mais seguro do que aqui fora.”
Segundo a Polícia Civil, o menor foi espancado por um grupo de 10 criminosos, por volta das 17h de segunda-feira. Como punição por assaltos que teria cometido, ele foi levado a uma região de mata no Bairro de Fátima onde recebeu vários socos e golpes de madeira, antes de levar um tiro em cada mão e ter um dos braços quebrado.
O garoto foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Carapina e, em seguida, transferido para um hospital do município. Ele tinha fraturas nos braços e hematomas na cabeça, além das perfurações nas mãos.
A mãe do adolescente contou que ele veio da Bahia quando tinha 2 anos de idade, para morar com um tio. “Deixei ele morar com esse tio porque nossa vida lá na Bahia é muito difícil. Pensei que, aqui, ele poderia estudar e se tornar alguém, mas ele se envolveu com o crime”.
A dona de casa disse que o filho se envolveu com o tráfico de drogas para sustentar o próprio vício.
“Ele começou a usar drogas, traficar e, para manter o vício, roubar. Ele foi detido por isso e tinha sido solto há pouco tempo. Eu fiz de tudo por ele. Dei do bom e do melhor para ele. O pai dele também. Sempre demos conselhos, mas ele não quis nos ouvir.”
A mãe do garoto contou ainda que ele passou por cirurgia nas mãos e que não sabe quando o adolescente terá alta do hospital.
A Polícia Civil informou que o caso foi registrado como lesão corporal grave e seguirá sob investigação no 10º Distrito Policial da Serra.
Entrevista
A Tribuna – Como a senhora ficou sabendo que seu filho estava hospitalizado?
Dona de casa – O Conselho Tutelar ligou para a minha filha e informou que ele havia apanhado muito e que estava internado.
Seu filho contou por que foi agredido?
Ele disse que foi roubar naquela região (de Bairro de Fátima e Hélio Ferraz, na Serra) porque queria dinheiro para comprar drogas. Só que não sabia das regras de lá. Ele está arrependido.
Ele já foi preso antes?
Tem menos de uma semana que ele saiu do Ciase (Centro Integrado de Atendimento Socioeducativo). Foi apreendido por ter assaltado uma relojoaria no centro de Vitória. Ele ficou seis meses preso e, quando saiu, fez essa besteira.
Ele também já teve problemas em Jacaraípe e, quando ia de férias para a Bahia, também aprontava por lá.
Como é ter um filho nessa situação?
Triste. Eu fiz de tudo por ele. Dei do bom e do melhor. Eu e o pai dele demos conselhos, mas ele não quis ouvir. É triste (choro). Eu não quero debaixo da terra alguém que saiu de dentro da minha barriga.
A gente cria o filho com amor, com carinho para algumas pessoas chegarem e tirarem a vida dele de graça?
Eu sei que o meu filho está totalmente errado e eu não passo a mão na cabeça dele. Mas a dor de saber que ele corre o risco de ser morto por traficantes me destrói por dentro.
