Uma clínica veterinária localizada em Pontal das Garças, Vila Velha, foi interditada após a polícia encontrar 17 animais mortos e 14 animais internados em condições precárias.
O proprietário do estabelecimento, o veterinário André Carolino, foi preso em flagrante e pode pegar de 2 a 5 anos de prisão.
Quem presenciou a cena encontrada no local descreveu como “uma clínica de horror”. A operação ocorreu na manhã desta quinta-feira (10) e foi realizada pela CPI dos Maus-Tratos Contra os Animais da Assembleia Legislativa, Delegacia de Meio Ambiente (DPMA), Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Vigilância Sanitária, Defesa Civil, Coordenação de Postura e Guarda Municipal de Vila Velha.
“Encontramos uma situação grave, com animais dentro de jaulas sem água e comida. A investigação agora vai apurar quão mais danosa foi a conduta do proprietário”, comentou o titular da DPMA, delegado Eduardo Passamani.
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Além dos animais mortos, foram encontrados material cirúrgico enferrujado, uma caixa cheia de seringas e agulhas que seriam reutilizadas, uma máquina de secar roupa sendo usada como incubadora e medicamentos vencidos.
Na clínica, estavam internados gatos e cachorros. Os tutores dos animais foram acionados e muitos correram para o local para retirar seus bichos de estimação.
O microempresário Marcelo Sousa dos Santos, 41, estava trabalhando quando sua mulher, Olga Maria Nunes, informou que a Prefeitura de Vila Velha havia dito que o local onde sua cachorra estava internada, uma buldogue de um ano, chamada de Isadora, era alvo da operação.
“Levamos ela por conta de um problema no olho. Ela estava bem e brincando. Levaram ela para dentro da clínica e disseram que precisaria de cirurgia urgente. Perguntei se tinha riscos, o médico disse que o risco era se não fizesse cirurgia e então resolvemos deixá-la para fazer”, contou Marcelo.
Para eles, o sentimento é de tristeza e o desejo de justiça. “Devolveram nossa cachorra morta em um saco de lixo. Quando vi as fotos do local, parecia um açougue. A vida de Isadora não volta mais, mas quero que ele fique preso e outras cachorras não sofram”.
Clínica tem histórico de autuações e processos
O médico veterinário preso ontem já havia sido investigado em 2017 por maus-tratos a animais. Na época, a pena não envolvia a prisão. Por isso, ele pagou por meio de serviços sociais.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado publicou, em nota, que o estabelecimento tem um história de fiscalizações, sendo que já foram feitas autuações e instaurados processos administrativos. Porém, o conselho informou que tem atribuição legal apenas para fiscalizar o exercício da profissão, “não podendo interditar locais, apreender bens ou prender pessoas”.
O profissional ainda possui cinco processos éticos, sendo dois julgados e três que correm sob sigilo.
Segundo a presidente da CPI dos Maus-Tratos Contra os Animais, deputada Janete de Sá, será pedida a cassação do registro profissional.
O veterinário foi autuado em flagrante por maus-tratos e encaminhado ao Centro de Triagem de Viana. A pena, nesses casos, é dois a cinco anos. A defesa dele não foi encontrada.