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Polícia

28 presos e quatro procurados: operação revela estrutura do PCV em Vitória

Mais de 200 policiais cumpriram 44 mandados de prisão e 76 de busca contra o Primeiro Comando de Vitória

Policiais durante a Operação Intifada
Foto de perfil de Atilio Esperandio

Atilio Esperandio

Jornalista formado pela FAESA é apaixonado por esportes e especialista em esportes capixaba. Atualmente é repórter multimídia no portal Tribuna Online onde cobre o Brasil e o mundo, além de apresentar o podcast Apita Aí na TV Tribuna Band, sempre falando do melhor do esporte!

Última atualização

A Polícia Civil prendeu 28 pessoas suspeitas de integrarem o Primeiro Comando de Vitória (PCV) durante a Operação Intifada, realizada na região da Grande São Pedro, em Vitória, nesta quarta-feira (14). Mais de 200 policiais participaram da operação que cumpriu 44 mandados de prisão além de 76 mandados de busca e apreensão.

Entre os presos estão pessoas que estavam fora do sistema prisional e outras que estariam presas porém dando ordens para os integrantes do PCV de dentro da cadeia.

Os policiais também apreenderam drogas, dinheiro e materiais utilizados para o embalo dos entorpecentes. Em uma das casas, por exemplo, foram encontrados cerca de 120 papelotes de cocaína, material para embalagem e dinheiro.

O chefe da DHPP de Vitória, delegado Ramiro Diniz, explicou que o principal objetivo da operação desta quarta foi de desarticular a organização criminosa.

“Foram cumpridos mandados contra indivíduos de diversos grupos dessa facção. Foram mandados cumpridos contra grupos responsáveis por adquirir as drogas, contra grupos responsáveis pelas questões financeiras e principalmente contra grupos responsáveis pelas questões operacionais”, disse o delegado.

O delegado explicou também que as principais lideranças do grupo estão foragidas no Rio de Janeiro e são elas que fazem a divisão de tarefas dentro desses grupos, desde quando ocorrerão os ataques, até quais armamentos e veículos que serão utilizados.

“São indivíduos de altíssima periculosidade, todos eles integram a facção criminosa. Então a retirada de circulação desses indivíduos leva paz, leva maior segurança aos moradores da região da Grande São Pedro”, disse.

Início das investigações

A operação teve início após as investigações sobre a morte de Breno Oliveira Santos do Carmo, ocorrida no dia 7 de setembro de 2025, no bairro Redenção. em Vitória. A vítima foi atingida por 12 disparos de arma de fogo quando visitava a namorada.

Breno, que na época era morador do bairro Tabuazeiro, já havia tido envolvimento com o Terceiro Comando Puro (TCP) mas, segundo o adjunto da DHPP de Vitória, delegado George Zan, a vítima estaria trabalhando em uma empresa de refrigeração sem ter mais envolvimento com o tráfico de drogas.

Dois envolvidos no assassinato de Breno foram presos, sendo eles o chefe do tráfico na região, Leonardo Oliveira da Silva, conhecido como “Léo do Jota”, de 29 anos, e um dos executores da vítima, Kelwin Pires da Conceição, de 18 anos. 

Procurados

Os principais procurados do PCV são Emerson “Pesadão”, Luiz Ricardo, o “Rico”, Erickson Henrique, o “Menor Henrique” e Ítalo “Pocadinho”. Os três primeiros foram identificados como lideranças da organização criminosa. 

Já Ítalo exerce uma função diferente, sendo responsável por executar integrantes de facções rivais. O delegado George Zan chegou a classifica-lo como uma espécie de “pistoleiro” da facção.

Ainda de acordo com o delegado, Emerson, Erickson e Ítalo estão na Rocinha, no Rio de Janeiro, enquanto o paradeiro de Luiz Ricardo, o Rico, não é conhecido.

Estrutura organizada

O delegado George Zan explicou também que as investigações da Polícia Civil identificaram que o PCV tem uma estrutura sendo composta por diferentes funções dentro da organização criminosa.

Tráfico de drogas

Compra, venda, preparação e distribuição dos entorpecentes.

Parte financeira

Recolhimento e movimentação do dinheiro obtido com o tráfico.

Gerenciamento

Pessoas responsáveis por administrar os pontos de venda e coordenar integrantes.

Ataques armados

Um grupo específico era responsável por planejar e executar ataques contra integrantes de facções rivais.

Confrontos entre PCV x TCP

As investigações também revelaram que uma disputa territorial entre PCV e TCP. De acordo com o delegado George Zan, um grupo ligado ao PCV foi criado para tentar tomar o território do Morro da Conquista, no bairro Conquista em Vitória.

Diversos confrontos entre as organizações criminosas foram registrados incluindo o assassinato de dois integrantes do TCP, identificados como Calon e Pedro Henrique, em Novembro do ano passado.

Outros ataques em outras áreas também foram registrados como no Carandiru, em Santa Martha e outro no Mangue Seco, na região do bairro Andorinhas. Neste último caso, os criminosos portavam fuzis e chegaram até o local do confronto de barco pelo mangue.

“A gente identificou durante as investigações que são criminosos extremamente perigosos e que são muito bem organizados. O ataque especificamente ao Morro da Conquista foi detalhadamente tramado pelos criminosos. Durante a organização, eles tinham tarefas de quem integraria determinada equipe que entraria por determinado local, outros que acessariam por outro local determinado também e foi disciplinado ali como eles fariam isso, qual armamento que seria utilizado. Então a gente está falando de criminosos extremamente organizados e perigosos”, disse o delegado. 

Participação da Polícia Penal

Durante a operação desta quarta-feira (14), a Polícia Civil contou com a participação da Polícia Penal. As investigações mostraram que criminosos estariam dando ordens de dentro da prisão e repassando informações para outros integrantes.

“Destaca-se para essa operação a presença de um fugitivo de sistema prisional que se encontra há 605 dias foragido. Ele fugiu do CPVD 2 em 17 de fevereiro de 2025, é um indivíduo de alta periculosidade, da região de Nova Palestina, na Grande São Pedro, é uma das lideranças dessa organização criminosa naquela região. É um alvo nosso de recaptura, que figura nessa operação”, disse o diretor de Operações da Polícia Penal, Weleson Vieira.

Ainda de acordo com Waleson, o preso estava na cadeia por conta de um homicídio mas conseguiu fugir para o Rio de Janeiro.

Notaer

O Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAER) também participou da operação ao dar segurança aos policiais que estavam no solo, monitorando possíveis rotas de fuga e ajudando a evitar emboscadas e confrontos.


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