A Polícia Civil divulgou nesta sexta-feira (16) os resultados da operação Provedor.Net 2.0, realizada no último dia 09 de outubro, no município de Vila Velha. As ações miram grupos criminosos que tentam controlar a distribuição de internet na região conhecida como Morro da Bomba e nos bairros Vasco da Gama, Cobi de Cima, Cobi de Baixo, Boa Vista e São Torquato.
Segundo a polícia, os suspeitos são traficantes associados à facção criminosa PCV e estariam interferindo na prestação de serviços de internet à população, coagindo e ameaçando empresas de provedores de internet.
“Eles ameaçavam de destruir, colocar fogo naquelas caixas onde passa o cabeamento da internet. Em contrapartida, empresários selecionados por eles podiam explorar livremente em troca de dividir os lucros com eles”, explicou o delegado Jordano Bruno.
Durante coletiva de imprensa, a polícia divulgou áudios de um dos líderes do grupo para os empresários. “A partir de hoje a internet é nossa“, afirma ele em uma das gravações. “Todos os comércios vão ter que usar. Se não usar nós vamos mandar ‘sentar tiro'”, diz ainda.
O traficante foi preso durante as ações da operação e outros mandados foram cumpridos na localidade. Durante a operação também foram encontradas câmeras que estariam sendo utilizadas pela facção para monitorar a população e o trabalho da polícia na região.
“Confirmamos durante as diligências a identificação de uma rede de videomonitoramento que estava instalada nos postes com câmeras que faziam todo o controle da movimentação de veículos e pessoas”, explicou o delegado. “Vigiavam as entradas por onde se chega até o local onde os entorpecentes eram comercializados”.
Agora, a polícia afirma estar em contato com as empresas fornecedoras de internet para evitar que sejam vítimas de novas tentativas de crime. “As empresas vão nos comunicar e a gente vai atuar com rigor, aplicando a lei anti-facção, que prevê penas altíssimas”. Enquanto isso, a polícia garante que os serviços de internet estão restabelecidos na região.

Como agiam
O delegado Tarik Halabi Souki detalhou a forma como os criminosos agiam. “Tentam impor o controle territorial e econômico na distribuição da internet. Eles abordam funcionários das empresas e expulsam do local, praticando inclusive agressões e ameaças com arma de fogo e destruindo equipamentos”.
Além disso, os traficantes obrigavam os funcionários a ligarem para os gestores das empresas e cobravam taxas de até 50% do lucro recebido pelas empresas para que pudessem continuar trabalhando nesses locais. Com os crimes, muitas empresas desistiam de atuar nos bairros, o que diminuia a concorrência e aumentava o valor para a população.
No total, a polícia cumpriu cinco mandados de prisão e apreendeu mais de 10 equipamentos de monitoramento. Outros quatro suspeitos ainda estão foragidos.