
Ele foi submetido aos procedimentos em um dos hospitais que teria sido cliente das empresas investigadas na Operação Lama Cirúrgica. “Imagina o nível de preocupação que eu estou”, comenta.
Dois empresários e o responsável técnico da Golden Hospitalar, distribuidora de produtos da área da saúde no Estado, foram presos, há duas semanas, sob a acusação de fornecer materiais médico hospitalares descartáveis reutilizados, como sendo novos, e de adulterar data de fabricação e de
validade dos produtos.
Outra empresa investigada pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção
(Nuroc) é a Alfa Medical, pela mesma prática.
Rafael Bracchi acredita ter sido vítima dessa quadrilha. “Quem fez uma cirurgia corre risco. Imagina eu, que fiz 23. Meu quadro evoluiu para osteomielite, que é uma doença que não tem cura. Foi sugerida a amputação da perna. Foi todo um desgaste, que me deixou muita perturbado. Tive uma perda óssea de quatro centímetros na perna”, lamenta.
A primeira internação do paciente, que tem plano de saúde, foi para trocar uma placa na perna, e
ocorreu em fevereiro de 2016. A última delas, em outubro de 2017. Todas no mesmo hospital.
“Vi as reportagens e comecei a ligar as coisas na hora. Vi que posso ter sido vítima de uma irresponsabilidade. Quem faz isso é um assassino. É crime doloso, com intenção de matar”, revolta-se.
Ombro
Já aposentada Maria de Lourdes Freire Cardoso, de 69 anos, retirou um tumor no ombro. A operação ocorreu no dia 7 de dezembro do ano passado. Ela desconfia que também foram utilizados em sua cirurgia materiais que deveriam ter sido descartados.
“Agora o que pode acontecer comigo? Tem hora em que eu fico imaginando. Já cicatrizou, mas eu
sinto muita dor no braço direito, e a perna também dói muito, e constantemente me dá febre”, conta.
Os nomes dos hospitais não estão sendo divulgados já que as denúncias estão sendo investigadas.