
O auxiliar de produção, de 35 anos, chegou a negar o crime, mas, segundo a polícia, depois confessou que colocou um produto químico na caixa de vitamina e a entregou para o filho beber. O produto usado ainda não foi identificado.
“Ele alegou que colocou um produto químico na bebida com a esperança de chamar a atenção da ex-mulher e, com isso, conseguir reatar o romance”, disse o delegado Marcelo Meurer.
O menino tomou a bebida no dia 24 de setembro, na casa do pai. Na ocasião, o suspeito alegou que comprou a vitamina em uma padaria e a deu para o filho. Ele chegou a registrar um boletim de ocorrência na delegacia.
“Assim que ele tomou, aquilo queimou a boquinha dele. Ele gritou e cuspiu a bebida. Fiquei desesperado, pois saía muito sangue”, disse o pai, na ocasião, em entrevista para A Tribuna.
O delegado destacou que logo no início das apurações percebeu algumas inconsistências nos depoimentos do pai e desconfiou da história.
“Estudamos o processo de produção da bebida e concluímos ser improvável que, em um lote de 75 mil unidades, apenas uma apresentasse esse tipo de problema”. O delegado disse ainda que, em visita à casa, encontrou uma seringa e uma colher com um pó branco.
Após o parecer do Ministério Público Estadual, o delegado pediu a prisão temporária de 30 dias do pai, que foi concedida pela Justiça.
O mandado saiu no início do mês, porém, em função da legislação eleitoral, não foi possível prendê-lo antes. “A lei não permite prisão cinco dias antes e nem dois dias depois da data das eleições, a não ser em flagrante e crime inafiançável. Por isso, aguardamos o transcorrer desse prazo”, explicou.
Segundo a polícia, ao perceber a chegada dos policiais a sua casa, o auxiliar de produção tentou se esconder em um terreno vizinho.
O delegado informou que o acusado responde por tentativa de homicídio qualificado e foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Cachoeiro de Itapemirim na tarde de ontem.
O nome do pai não está sendo divulgado para preservar a criança.
Menino já recebeu alta e está em casa com a mãe
Após 11 dias internado, o menino de 7 anos que, segundo a polícia, foi envenenado pelo pai, teve alta na última sexta-feira e está em casa, com a mãe.
A família ressaltou que a criança se recupera bem, mas tem dificuldade para se alimentar, devido a ferimentos na boca e na garganta.
O menino passou por três hospitais e chegou a ficar na UTI. Exames constataram que ele teve lesões na cavidade oral e edema de língua e de lábios. Não houve ferimentos no esôfago e no estômago.
No último dia 24, quando o menino foi hospitalizado, o pai culpava a fabricante do produto.
Confiando na informação do ex-marido, a mãe da criança, na ocasião, usou as redes sociais para relatar o drama. “Por causa desses irresponsáveis, meu filho está na UTI… estou destruída, gente. Orem pelo meu príncipe”, destacou.
A mãe do menino esteve na delegacia ontem. Ela estava muito revoltada e foi orientada pelos policiais a voltar para sua casa.
Laudo
A vitamina ingerida pela criança foi encaminhada para o laboratório de toxicologia forense da Polícia Civil para que o componente químico usado pelo pai da criança seja identificado. O laudo deve ficar pronto na próxima semana. O pai não disse qual produto teria colocado na bebida.