O acusado de estuprar, agredir e colocar fogo nas crianças Joaquim Alves Sales, de 3 anos, e Kauã Sales Butkovsky, 6, ainda vivas, Georgeval Alves Gonçalves, 36, conhecido como pastor George, foi levado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos do Senado Federal, na tarde de ontem, e negou todos os crimes dos quais é acusado.
A presença do pastor foi solicitada na sala da sessão, no Ministério Público do Estado, pelo presidente da CPI, o senador Magno Malta, às 13h40. George entrou no local com um colete à prova de bala e olhando para o chão.
No início do interrogatório, o senador Magno Malta perguntou sobre a vida do pastor. George, inicialmente, respondeu às perguntas, mas disse que preferia ficar em silêncio sobre as questões pertinentes sobre as causas das mortes das duas crianças, o enteado Kauã e o filho Joaquim.
“Eu não fiz nada! Eu não estuprei os meus filhos. Eu não botei fogo nos meus filhos. Eu não bati nos meus filhos. Eu não fiz nada disso. Eu sou inocente!”, afirmou o pastor George Alves aos membros da Comissão e convidados.
Durante a sessão, o pastor surpreendeu a todos ao responder a pergunta do senador Magno Malta se ele havia sofrido abusos sexuais durante a infância. George afirmou que sim. Durante o interrogatório, o pastor em alguns momentos demonstrava estar emocionado. A Tribuna acompanhou o depoimento e transcreveu os principais trechos.
SENADOR MAGNO MALTA – Você é natural de onde?
PASTOR GEORGE ALVES – Sou de São Paulo.
> Antes de se mudar para o Estado, morava aonde?
Em São Paulo mesmo.
> Está há quanto tempo aqui no Espírito Santo?
Mais ou menos quatro anos.
> Você tem alguma formação?
Tenho nível técnico.
> Trabalhou com o que lá em São Paulo?
Fui técnico em uma empresa de química e cabeleireiro em alguns salões de beleza em Santo André, São Paulo.
> Há quanto tempo o senhor trabalha como cabeleireiro?
Há 24 anos.
> Qual sua religião?
Sou cristão evangélico.
>E sua mãe, como foi a convivência com ela?
Eu não a conheci.
> Foi criado por quem?
Meu pai e meus tios e tias.
>Eles eram evangélicos? Minha avó era evangélica.
> E você, quando se converteu?
Há 5, 6 anos, mais ou menos.
> Conheceu o evangelho na infância?
Sim.
> Você tinha vida normal antes de ser evangélico?
Sim.
> O senhor bebia?
Não.
> Conheceu as drogas?
Conheci.
> Com que idade?
Não lembro.
> O que você usou?
Prefiro não responder.
> Qual igreja você frequentava lá em São Paulo?
Batista das Nações.
> O que te levou para Linhares?
Acho que foi Deus que me trouxe para cá.
> Quando saiu de São Paulo, deixou dívidas?
Não! Fechei o salão e vim para o Espírito Santo.
> Teve alguma pendência com algum banco?
Não me recordo.
> Não teve uma pendência de R$ 33 mil?
Não me recordo, porque eu fechei os salões. Não me recordo.
> Chegou a fazer empréstimo?
Não. Não lembro de ter feito empréstimo nenhum.
> Foi para Linhares para trabalhar com o que?
Cabeleireiro, a princípio.
>E trabalhou quanto tempo?
Trabalhei três meses.
> Como decidiu ir para o ministério sacerdotal?
Tive um encontro com Deus e lá eu recebi meu chamado. Eu resolvi assumir o ministério. Cuidar de pessoas.
>Parou com o salão?
Sim, parei.
> E sua esposa, é cabeleireira também?
Ela trabalhou com salão.
> Vocês se casaram aqui ou em São Paulo?
Aqui no Estado, em Linhares.
> Sua igreja tem quantos anos?
Possui três anos.
> Há alguma coisa que você fez que se arrepende?
Eu me arrependo de não ter colocado para fora o que eu realmente estava sentindo. Me arrependo de não ter demonstrado a dor que eu sinto até hoje pela perda dos meus filhos, de não ter passado isso. Eu me arrependo sim. Eu deveria ter ficado quieto. Ficado tranquilo, porque eu sinto até hoje a perda dos meus filhos. Eu choro todos os dias pela morte dos meus dois filhos.
