Perseguir alguém, de forma persistente e incessante, seja pela internet ou por meios físicos, é crime e quem o comete pode acabar preso por até três anos. O problema é que, mesmo assim, muitos stalkers (perseguidores) continuam praticando o crime.
Foi o que aconteceu com um cabo da Polícia Militar, de 33 anos, na noite de domingo, 3, em Santana, Cariacica. Ele foi preso após escalar a parede de um prédio de três andares e invadir o local atrás de sua ex-namorada, uma aluna soldado da PM. Um amigo da vítima, que tentou intervir na situação, acabou ferido.
A vítima contou para a polícia que, após terminar o relacionamento de 3 anos com o cabo, ele não se conformou e passou a persegui-la, insistindo por dias para conversar pessoalmente com ela.
No domingo, 3, o policial foi até a casa da ex-namorada e, como ela não quis atendê-lo, ele escalou o prédio, a uma altura de cerca de 8 metros, arrombou a porta principal e de alguns quartos, além de quebrar guarda-roupas, gavetas e outros móveis.
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Dona do imóvel invadido, uma aposentada de 67 anos contou que a destruição foi grande. “Porta da entrada danificada, dos dois quartos e fechadura quebrada. Parece que um monstro tinha entrado na casa”, declarou.
A polícia foi chamada e conseguiu encontrar o cabo na rua, em seu veículo, no bairro Alto Lage. A mulher pediu medida protetiva contra o ex, que foi encaminhado para a Delegacia do Plantão Especializado da Mulher (Pem), onde foi autuado por lesão corporal por ter agredido um homem, ameaça, invasão de domicílio e por destruir coisa alheia. Ele foi encaminhado ao Presídio da Polícia Militar.
A situação envolvendo a policial não é um caso isolado de perseguição. De acordo com Geovanna Lourenzini, advogada da família, as mulheres têm se tornado, cada vez mais, vítimas dessa tipificação criminal, que está em vigor há cerca de um ano.
“Recebo constantemente vários casos de clientes que passam por violência doméstica, principalmente a psicológica, que é feita por meio do stalking”, disse.
Um exemplo disso foi o que aconteceu com uma dona de casa, de 42 anos, que passou a ser perseguida pelo ex nas redes sociais.
“Tenho crises de ansiedade constantes. Ele começou a seguir as minhas amigas e as incomodar também. Me persegue”, disse.
Em Santa Maria de Jetibá, uma mulher conseguiu medida protetiva contra um morador, que após descumprir a medida, teve sua prisão decretada na última quarta-feira, 30. “Uma conquista para a redução dos casos de violência doméstica, disse Lourenzini.
Soldado da PM agride família
O caso da aluna soldado que foi perseguida e que teve a casa invadida pelo ex não foi o único envolvendo policiais militares como agressores nos últimos dias.
Na Serra, no último sábado, 2, uma soldado de 34 anos foi agredida com chutes e socos pelo ex-marido, um também soldado de 28 anos. Ela, que tem uma filha de dois anos com o policial, afirma ter sofrido um relacionamento abusivo por anos e disse que decidiu colocar um fim no relacionamento. Na noite de sábado, ao visitar a criança, o soldado teria se alterado após a mulher comentar sobre a pensão alimentícia da filha.
“Começou a me xingar. Pedi para ele sair da minha casa e quando tentei fechar a porta, ele empurrou e me agrediu”, conta a mulher, que pediu para não ser identificada.
Ao presenciar as agressões, a mãe da vítima, uma senhora de 60 anos, tentou intervir, mas também foi agredida. “A empurrou contra a parede”, relata a policial.
Uma viatura da PM foi acionada e o ex-casal foi levado para o Plantão Especializado da Mulher Pem), onde a vítima alega ter sido maltratada. “Ele (ex) tem muitos contatos. Eu entrei como vítima e saí como agressora, sendo que quem me agrediu foi ele”, disse.
Procurada, a PM disse que não conseguiu verificar as informações.
A LEI
Stalking
- Vem do inglês e quer dizer “perseguir”. Ocorre quando uma pessoa cria uma obsessão por outra e passa a persegui-la virtual ou presencialmente, independente do intuito.
- A prática foi tipificada na lei 14.914/21 em abril do ano passado. Prevê pena de reclusão de seis meses a três anos e multa.
Assédio
- Significa importunar, forçar de forma insistente a vítima com o intuito de obter vantagem sexual.
Especialistas consultados.