
O titular da Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade de Souza Silva, já recebeu denúncias e vem investigando quadrilhas especializadas nessa modalidade de crime, que varia conforme o perfil da vítima.
“Os criminosos virtuais adotam artimanhas para seduzir mulheres que buscam relacionamentos. Algumas medidas podem ser adotadas para mitigar ou até mesmo evitar situações como essas.”
Preocupado com desfechos trágicos – a exemplo do que aconteceu no último sábado com a empresária Elaine Perez Caparróz, de 55 anos, que no primeiro encontro foi espancada dentro do seu apartamento por quase quatro horas –, o delegado deu dicas de como as pessoas devem se comportar em relacionamentos virtuais.
A empresária foi torturada por um rapaz que conheceu pelas redes sociais e trocou mensagens por oito meses. O fato ocorreu no Rio de Janeiro, onde o casal tinha combinado de jantar junto. Para ter acesso ao prédio, ele deu nome falso na portaria.

Mas o delegado disse que, se for possível, a pessoa deve se relacionar com alguém que conheça ou que tenha amigos em comum, mesmo se forem virtuais, para que eles possam dar referências.
“Observar como é o relacionamento e histórico familiar da pessoa também é recomendado. No caso das mulheres, fiquem atentas como o homem trata a mãe, por exemplo, ou como trata pessoas idosas. Tudo isso pode facilitar na hora de perceber o caráter e personalidade da pessoa. E eu ainda falaria para não acreditarem no que veem nas redes sociais, pois ali todos mostram o que querem ser e não o que são”, finalizou.
Confira as dicas para evitar os golpes:
Jovens no alvo
- Depois de conquistar a vítima e se envolver emocionalmente pela internet, com troca de fotos e vídeos íntimos, o disfarce se desfaz e começa a extorsão, mediante ameaça.
- Na prática, ele diz que, se a vítima não pagar determinada quantia, as imagens serão divulgadas na internet ou repassadas para conhecidos.
Mulheres de meia idade ou idosas
- Os scammers, como são chamados integrantes de quadrilhas especializadas em dar golpes em mulheres, buscam suas vítimas em redes sociais ou sites de relacionamento.
- Usando nomes, fotos e profissões falsos, eles iniciam o primeiro contato sempre demonstrando o interesse em sua potencial vítima.
Sinais que indicam que algo pode estar errado
Bem-sucedidos
- No jogo da sedução, muitos scammers se passam por estrangeiros (embora tenha surgido criminosos brasileiros usando o mesmo método) bem-sucedidos financeiramente, alegando, ainda, ser militares ou empresários.
Informações falsas
- Eles usam perfis falsos e utilizam a identidade de terceiros de forma ilícita, reproduzindo fotos de pessoas atraentes e bonitas para despertar o interesse das vítimas.
Erros de português
- Fique atento aos erros de português. Scammers de fora do Brasil usam programas de tradução e, por isso, as frases ficam sem sentido e com erros de concordância.
Dicas para não cair em armadilhas
Seja esperto, investigue
- Antes do primeiro encontro, certifique-se de que as informações que estão sendo trocadas são fidedignas. Isso pode ser feito na própria internet, já que mentiras deixam rastros. Para quem tem dificuldades, uma opção é recorrer a um profissional da área.
- Verifique se aquela fotografia apresentada, nome, local de trabalho, idade, parentesco, círculo de amizades são verdadeiros. Peça referências.
- Observe como a pessoa trata seus familiares. Isso é sinal de como ele poderá te tratar na vida real.
Primeiro encontro
- Nunca vá sozinho e opte sempre por um lugar público. Observe durante a conversa se o diálogo é o mesmo que foi travado na internet.
- Fique atento ao comportamento de quem está na sua frente e, se na conversa notar qualquer desvio de conduta, qualquer indicativo de agressão psicológica ou física, corte o relacionamento e denuncie à polícia.
Fonte: Brenno Andrade de Souza Silva, delegado da DRCC, e Wanderson Castilho, especialista em crimes digitais.