O silêncio que faz parte da triste realidade de muitas mulheres agredidas e ameaçadas por seus atuais ou ex-companheiros tem dado lugar a pedidos de socorro. As estatísticas são cada vez mais robustas. Somente neste ano, 14.102 mulheres pediram ajuda da polícia contra homens violentos.
A violência contra essas vítimas se apresenta de muitas formas, como destaca a delegada Cláudia Dematté, chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). “Não é apenas física, pode ser psicológica, sexual, moral, patrimonial.”
Dematté confirma que tem aumentado o número de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar que denunciam seus agressores. Em 2018, foram 14.991 denúncias, número que deve ser ultrapassado este ano, uma vez que a média de registros de casos é superior a 1.000 por mês.
Mas ela faz uma ressalva: “Que não tenhamos a falsa impressão de que isso se deu em virtude de aumento no número de casos. Certamente, o que acontece é que, com a Lei Maria da Penha, as vítimas se sentem mais seguras para denunciar”.
E acrescentou: “As mulheres estão se empoderando, e, infelizmente muitos homens não estão prontos para lidar com esse empoderamento e cometem atos inadmissíveis. Por isso, é importante trabalharmos na prevenção, na desconstrução dos valores machistas.”
A delegada disse que o número de denúncias poderia ser ainda maior e reforçou que é importante que as mulheres tenham coragem e procurem uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher para registrarem Boletim de Ocorrência.
“Mesmo com o número crescente de denúncias, muitas mulheres ainda sofrem caladas por possuírem ligação afetiva com o agressor, por medo de sofrer violência ainda maior, por vergonha ou por dependerem financeiramente do agressor. Por isso, é importante que o atendimento à vítima seja acolhedor e ofereça plena assistência a ela.”
Formas de violência doméstica e familiar
- Violência física é entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal;
- Violência psicológica é qualquer conduta que cause dano emocional, diminuição da autoestima, controle ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir;
- Violência sexual é qualquer conduta que provoque constrangimento, obrigação de manter relação sexual não desejada, sob ameaça, coação ou uso da força;
- Violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
- Violência moral é entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
Fontes: Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo e Polícia Civil.
