- Vitória, ES 22°C

Vitória 22°C

Anúncio
Polícia

Técnica de enfermagem quer guarda de filha de irmã condenada por omissão

Em maio de 2017, a técnica de enfermagem Thais Camila da Costa Almeida Claudino Sten, 28 anos, vivenciou um drama na família da morte da sobrinha ...

Última atualização

Em maio de 2017, a técnica de enfermagem Thais Camila da Costa Almeida Claudino Sten, 28 anos, vivenciou um drama na família da morte da sobrinha Fabyane Isadora Claudino Bezerra de 2 anos e 5 meses, filha de sua irmã Maria Izabel Claudino, 22. A criança foi torturada, estuprada e morta pelo padrasto, o acusado Michael Lelis, 28.

Agora a jovem batalha para poder ter a guarda definitiva da outra filha de Maria, de 2 anos. O nome da menina não será divulgado para preservação de sua imagem. Atualmente ela já tem a guarda provisória e quer a definitiva.

Maria Izabel foi presa em junho do ano passado por omissão, em 2 de maio desse ano foi condenada a 2 anos e 4 meses e 24 dias pela lei de tortura na forma de omissão em regime aberto. No dia seguinte teve habeas corpus concedido e também batalha pela filha.

Já Michael foi condenado a 28 anos, três meses e nove dias de prisão. A sentença é o titular da 2ª Vara Criminal de Cariacica, juíz José Leão Ferreira Souto.

Michael Lelis, que estuprou e marou a criança Fabyane Isadora (Foto: Fábio Vicentini)A Tribuna – O que achou da condenação de Michael?
Thais Sten – Pouquíssimo tempo. Acho que ele não deveria nem sair da prisão. Não tinha que chegar perto de criança nenhuma. A gente tem que crer que ele vai ficar a pena toda, mas o sistema é falho.
 

Como sua irmã conheceu Michael?
Ele jogava bola com o meu marido. Nunca gostei muito dele, pois ele me parecia mulherengo. Não sei porque, nunca confiei nele. Eles começaram a se relacionar, mas eu e minha irmã não temos uma relação muito próxima.

Quando ela engravidou dessa minha sobrinha que quero a guarda, ela perdeu mais o contato com a gente. Minha irmã morava em São Paulo e no final de 2015 veio com Isadora. A Isadora estava com uns 4 meses. E depois ela veio morar no Estado com as crianças em meados de 2017.

Como tem sido conviver com a perda da Isadora alguns meses após sua morte?

Independente do tempo, ainda dói. Não foi um acidente. Não foi uma fatalidade. Ele cometeu um crime. Essa causa contra o estupro de crianças agora é minha também. Não tinha o porquê dele ter feito isso com uma criança de 2 anos de idade.

É que nem o caso do pastor George (George Alves que estuprou e matou filho de 3 anos e enteado, 6 anos, em Linhares). Revoltante. Não é algo que vem escrito na testa da pessoa. Muitas vezes são pessoas que vem de bom samaritano.

Igual o caso da Thayná (Thayná Andressa de Jesus, de 12 anos, estuprada e morta em Viana). O caso não iria acontecer se ele (Ademir Lúcio Ferreira) não estivesse solto, pois ele já tinha passado criminoso.
 

A polícia disse que sua irmã foi omissa e em fotos antes do crime apareciam roxos pelo corpo da Isadora. Acredita que sua irmã sabia do que ele fazia?
Não tinha como não perceber. Minha irmã dava banho, trocava fraldas.

O que deseja daqui para frente se conseguir a guarda definitiva da sua sobrinha?
Quero que ela tenha segurança. Não quero que ela seja vitimizada pelo que aconteceu com sua irmã. Desde que aconteceu a morte da Isadora, tive a guarda provisória dela. Ela tinha 9 meses e não entendia o que aconteceu. Ela cresceu me chamando de mãe, meu marido de pai e minhas filhas de irmãs.

Acredita que um dia vá contar o que aconteceu?
Sinceramente não sei. Não decidi.

Ela já foi visitar Michael no presídio?
Já chegaram a pedir para leva-la para visita assim que Michael foi preso. Eu prontamente neguei como negaria todas as vezes que me pedissem.

Desde que ganhou o direito de responder em liberdade por omissão, quais providências que Maria Izabel adotou em relação à guarda dessa filha?

Ela saiu em maio desse ano e disse que quer a filha de volta. Contratou advogado. Em 19 de setembro temos uma audiência na 1ª Vara da Infância e Juventude.

Atualmente minha irmã está morando na casa da minha avó que fica embaixo da minha. Ela está tentando arrumar emprego. Ela sempre vê a filha. Mas quero ter a guarda definitiva da menina.

Creio ter condições de acompanhar o crescimento dela, observá-la. Ela é uma menina alegre e carinhosa.

Depois desse crime sexual em sua família mudou as orientações que dá para as suas filhas?

Tenho uma filha de 7 anos e outra de 11 anos. Eu fiquei muito cautelosa. Peço para elas não falarem com estranhos, que nas partes íntimas delas ninguém pode tocar. Eu as levo e busco na escola. Acho que essas recomendações devem vir não só para meninas, como para meninos. A gente não sabe de onde pode vir o perigo.

Qual condenação acha que um estuprador tinha de ter?

Prisão perpétua para não ter contato com criança nenhuma mais e se tiver filhos pequenos, sem visitas. Pois nesses casos é como se fosse dar indulto de Dia das Mães para quem matou a própria mãe.

Mãe recorre de condenação na Justiça

Condenada na 2ª Vara Criminal de Cariacica por omissão, por conta da morte da filha Fabyane Isadora Claudino Bezerra de 2 anos e 5 meses em 2017, a cuidadora de idosos Maria Izabel Claudino, 22, está recorrendo da sentença.

“Não existe nenhuma prova de conivência por omissão. Ela trabalhava e o Michael ficou em casa com a criança e fez o crime. A condenação é em regime aberto. Recorri ao TJES”, disse o advogado de Maria Valdemir Soares Sanderlei.

Na sentença o juiz cita que: “Ora, é difícil acreditar que a mãe de uma criança de 2 anos, que todos os dias tem contato com a criança, ajudando-a em tarefas como banho, troca de roupas, alimentação não veja/perceba que a mesma apresenta várias contusões/mordidas em seu corpo”.

E rebate uma de suas alegações em relação a não perceber feridas. “A sua versão de que é míope e que não enxergava as lesões no corpo da ofendida não se sustenta, até mesmo porque trabalhava como cuidadora de idoso, atividade que também requer cuidados e atenção no dia a dia”.

Ele ainda fez outra citação sobre sua omissão. “As torturas intensas e reiteradas, impergidas pelo réu como forma de aplicar castigo ou corrigir a ofendida levaram a criança à morte, com evidente contribuição da ré Maria Izabel, que sempre se omitia não oferecendo proteção à menor, deixando que o réu a submetesse a agressões e o acobertando”.

Cuidadora de idosos quer guarda de filha

Onze meses após sair da prisão, onde estava presa omissão a cuidadora de idosos Maria Izabel Claudino, 22, contratou advogado para poder requerer a guarda da outra filha, que atualmente está com 2 anos.

Advogado de Maria, Valdemir Soares Sanderlei explicou que assim que foi presa, em junho do ano passado, a irmã de Maria, a técnica de enfermagem Thais Camila da Costa Almeida Claudino Sten, entrou com pedido de guarda provisória da menina na 1ª Vara da Infância e Juventude de Cariacica e teve pedido acatado.

“A irmã de Maria Izabel a iludiu quando ela estava presa dizendo que o pedido de guarda era para preservar a criança. Depois da condenação da minha cliente, não deixa a mãe ver a criança”.

O caso segue na 1ª Vara da Infância e Juventude de Cariacica, na qual a juíza é Morgana Dario Emerick.
 

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.