Uma briga em família por causa de herança acabou no assassinato da estudante universitária Fernanda da Silva Pereira, 24 anos, que fazia o 4º período do curso de Direito.
O crime ocorreu na região de Jacarandá, zona rural de Guarapari, e o suspeito é o próprio irmão da vítima.
O fato aconteceu no sábado, quando a jovem foi com a família ao sítio que era do pai dela — que morreu em 2020 —, onde o irmão ainda morava, segundo a namorada da vítima, uma autônoma de 24 anos.
Ela contou que a estudante era inventariante do processo e não morava na região. Conforme o boletim de ocorrência, policiais foram ao sítio, informados de que Fernanda e um tio estiveram no local para conversar sobre herança da família e, nesse diálogo, iniciou-se uma discussão.
A partir da confusão, segundo o BO, o irmão da vítima teria pegado uma faca e partido para cima dela e do tio, que conseguiram desarmá-lo. Mas, depois, ele teria entrado em casa e pegado uma arma de fogo, disparando contra os dois.
ENTREVISTA COM A NAMORADA DE FERNANDA
Abalada, a namorada da vítima contou como o crime aconteceu, ao comparecer no Departamento Médico Legal (DML), na manhã desse domingo (6), para liberar o corpo com a família.
A Tribuna — Você tentou socorrer Fernanda?
Autônoma — Sim, eu peguei ela já ferida, desci a escada, eu a encostei no carro, mas ela perdeu muito sangue. Aí, eu tirei a minha blusa, coloquei na barriga dela pra tentar estancar. Eu me ajoelhei, levantei as mãos para o alto e pedi pelo amor de Deus para que ele (o suspeito do crime) parasse porque a gente só queria a chave do carro, e ele não queria devolver.
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Como era a Fernanda?
A Fernanda era uma pessoa de coração muito bom. Uma pessoa digna, íntegra, que não media esforços para ajudar alguém. Uma pessoa que me amou até o último minuto da vida dela. E a gente tinha planos, a gente tinha sonhos, e foi tudo porque tiraram o amor da minha vida.
Como conseguiram sair?
Eu e a tia dela entramos na casa pra tentar pegar a chave do carro e, quando eu saí de perto dela, ele (o suspeito) deu outro disparo que acertou o braço dela, e então a gente entrou na casa tentando procurar a chave, e a mulher dele (do suspeito) já veio para cima da gente.
E quem ajudou vocês?
Corri paro vizinho do lado e pedi ajuda, mas eles não quiseram ajudar, e a mãe da Fernanda chegou logo em seguida, falando que a gente tinha de sair dali porque ele (o suspeito) iria matar a gente também.
Depois, tivemos de fugir pelo mato, andando um pedaço grande até chegar a um bar, e lá o pessoal nos ajudou a chamar a polícia.
Um desconhecido nos deu carona e ficou esperando a viatura com a gente. Eu falei, por favor, te imploro, não vá embora. Fiquem aqui, estou com medo. Toda moto, todo carro que passava, eu achava que era ele, que ele iria matar a gente.
E o tio da Fernanda, como ficou?
Meu foco era salvar a Fernanda, então eu não prestei muita atenção, mas, quando desci com ela, eu vi o tio dela no meio do mato e se apoiando numa árvore, subindo a ladeira, perdendo muito sangue, e eu falei “Pelo amor de Deus, levanta”, eu até tentei ajudá-lo a se levantar, mas eu não consegui.