Pouco mais de três meses no presídio, acusados de 23 homicídios dolosos e 18 tentativas de homicídio – número de sobreviventes do acidente entre uma carreta e um ônibus de viagem, na BR-101, em Guarapari – os irmãos Jacymar Pretti, 63 anos, e Leocir Braz Pretti, 49, donos da carreta que provocou o acidente saíram da cadeia ontem.
Eles foram para prisão domiciliar, em Baixo Guandu, Noroeste do Estado, e estão usando tornozeleira eletrônica. A decisão do juiz Eliezer Mattos Scherrer Júnior, da 1ª Vara Criminal de Guarapari, da conversão do tipo de prisão aconteceu na tarde de ontem. Mas exigiu dos irmãos o fechamento da empresa Jamarle Transportes.
Num dos trechos da decisão, o magistrado aponta que com a suspensão do exercício da atividade econômica da empresa dos réus, ocorrida desde maio, “não terá mais como os caminhões com excesso de peso trafegarem na estrada e, por isso, os acusados não colocariam mais em risco a vida de outras pessoas por este mesmo motivo”.
O juiz pontuou também que os dois não teriam como “coagir moralmente seus funcionários a depor falsamente em juízo” por todos já terem sido demitidos.
O magistrado levou em consideração a denúncia da polícia de que os irmãos Pretti coagiram e ameaçaram testemunhas durante o processo. O contato com as testemunhas está proibido, assim como saídas da casa sem autorização da Justiça.

Considerada a maior tragédia nas estradas do Estado, o acidente em 22 de junho de 2017, na BR-101, no Km 343,2, ocorreu após uma carreta com bloco de granito tombar e atingir o ônibus que levava 31 passageiros. A carreta estava com excesso de peso e pneus carecas, além de outros problemas.
